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Vendas de Ouro pelo Banco de Portugal

04 Nov

Coincidências:

  1. Vitor Constâncio gosta de vender Ouro
    Em quantidade e ignorando o crescimento generalizado do crédito (uma venda estranha, sobretudo se feita por alguém que saiba de política monetária).
  2. O preço do Ouro dispara
    Como acontece sempre após um enorme crescimento do crédito, aquele colapsa e obriga à emissão de moeda, com o efeito óbvio no preço de todas as matérias primas.
  3. Vitor Constâncio é escolhido para o BCE
    E logo para 1º Vice-Presidente, aparecendo sempre ao lado de Draghi (ex-Goldman).

Alguns factos sobre as reservas de Ouro de Portugal:

  • Em Abril de 2012 o BoP tinha 382,5 toneladas – desde Março 2009 (11º lugar).
    O equivalente a 16.300 M€, ou 7,5% da Dívida Estatal (de 218.000 M€).
    O Ouro representa – ainda em 2012 – 91,5% das reservas nacionais.
  • Em 2001, o BoP tinha 606,7 toneladas (+58,6% que o nível actual)
  • Em 1971, o BoP tinha 818,3 toneladas (+113,9% que o nível actual)
Perguntas:
  1. Será que Constâncio sabe o suficiente de Política Monetária para saber que a expansão e posterior colapso do crédito (não pode crescer indefinidamente…) iriam levar a este movimento do Preço do Ouro (de 400 para os mais de 1600 actuais)? Ou será que é ignorante?
  2. Se não é ignorante, fez estas vendas com que objectivo? Para “diversificar” de activos de valor intrínseco para activos que em 98 anos perderam 98% do valor (Dólar desde a criação do Fed em 1913)? E quem comprou? Vendeu com boa fé ou com a promessa de retornos futuros? Ou será inocente?
  3. Se é ignorante sobre política monetária e fez aquelas vendas sem dolo ou má-fé, porque razão uma pessoa que falhou tanto na liderança do Banco de Portugal (venda de ouro, BPP, BPN, …) é hoje 1º Vice-Presidente do Banco Central Europeu?

Estranho no mínimo, não é?

Vamos agora imaginar o cenário ao contrário. Imaginem que são de uma família de banqueiros dos mais ricos do mundo. Têm dinheiro sem limites (literalmente, pois controlam bancos centrais), mas querem comprar ouro e, por mais dinheiro que tenham, estão limitados ao ouro que é vendido nos mercados internacionais, pois há muito que está simplesmente guardado. Não acham barato oferecer a um guardião (supostamente) de uma das maiores reservas o lugar nº 2 num dos grandes bancos centrais que controlam, oferecendo um salário que, apesar de estratosférico em termos salariais, não passa uma gota em termos do valor do metal assim disponibilizado? Eu percebo a atitude dos Banqueiros e a do Constâncio. Só lamento é a impunidade com que isto acontece.

Anexo: Artigos de opinião recolhidos

Porque é que o Banco de Portugal vende o ouro da República?
Pelo Prof. Jorge J. Landeiro de Vaz, Professor do ISEG/UTL, no Expresso:

Em 1971 as reservas de ouro do Banco de Portugal ascendiam a 818,3 toneladas; em 2001, ou seja 30 anos depois, ainda eram 606,7 tons. mas em Março de 2009 já só existem à guarda do Banco de Portugal 382,5 tons. Porquê?Será que alguém explica aos Portugueses porque é que em 38 anos a democracia fez voar 435,8 tons de ouro, herdadas do “fascismo” e do “colonialismo”, ou seja  53%  daquelas  reservas.Alguém explica aos Portugueses porque é que nos últimos 8 anos foram vendidas 224,2 tons de ouro; ou seja nos últimos 8 anos, o Portugal da zona euro vende alegremente, em média 28 tons de ouro por ano. A  este ritmo, dentro de 14 anos não haverá ouro no Banco de Portugal.A venda de ouro efectua-se quando as economias precisam de divisas e têm dificuldades de financiamento, como aconteceu na crise dos anos 80 em que foi necessário vender ouro para comprar trigo e petróleo. Mas porquê vender ouro quando o país se encontra numa zona monetária forte e não tem, até agora, dificuldades de financiamento externo.Alguém declarou com singular propriedade, que estamos em contexto de fim de história, fechado o ciclo da saga Lusa, da conquista e da descoberta, em que o ouro do Brasil e de África se foi acumulando no Banco de Portugal. O fim da história não pode significar a liquidação pura e simples do património moral, histórico, cultural e económico dum povo. O ouro do Banco de Portugal faz parte desse património, não tem apenas um valor físico, tangível, num determinado contexto, mas possui também um valor intangível, metafísico.Num contexto de empobrecimento económico e endividamento público e privado, o ouro do Banco de Portugal não pode ser visto como activo de liquidação, mas como reserva de soberania. Há uma responsabilidade intergeracional que o exige. Deixemos esse património aos nossos filhos e teremos feito alguma coisa por eles, pelo menos como penhor dos passivos que airosamente lhes vamos legar.

Onde está o ouro português? Existe mesmo ou é de papel?
por António Maria:

O Banco de Portugal, ao referir-se aos seus ativos em ouro, descreve-os assim:  “Ouro e ouro a receber”, ou seja, ouro mesmo e ouro emprestado em troca de liquidez, supõe-se. Mas quanto ouro metal afinal existe no Banco de Portugal? E quanto foi alienado sob a forma de swaps e outros instrumentos de venda dissimulada? É que há fortes suspeitas de que os bancos centrais europeus, tal como o FMI, alienaram milhares de toneladas de ouro desde que este século começou! Terá sido esta uma das contrapartidas para as astronómicas vendas de dívidas soberanas europeias, a chineses, americanos, árabes, russos e indianos, por intermédio do BCE?
“…once we acknowledge how big the discrepancy is between the actual true level of physical gold demand versus the annual “supply”, the obvious questions present themselves: who are the sellers delivering the gold to match the enormous increase in physical demand? What entities are releasing physical gold onto the market without reporting it? Where is all the gold coming from?
There is only one possible candidate: the Western central banks. It may very well be that a large portion of physical gold currently flowing to new buyers is actually coming from the Western central banks themselves. They are the only holders of physical gold who are capable of supplying gold in a quantity and manner that cannot be readily tracked. They are also the very entities whose actions have driven investors back into gold in the first place. Gold is, after all, a hedge against their collective irresponsibility – and they have showcased their capacity in that regard quite enthusiastically over the past decade, especially since 2008.”
in “Do Western Central Banks Have Any Gold Left???”. By: Eric Sprott & David Baker. Sprott Global.Entre 2002 e 2006 (!) o Banco de Portugal vendeu, sem perguntar aos portugueses, qualquer coisa como 225 toneladas de ouro (15 em 2002, 30+45 em 2003, 35+20 em 2004, 35+10 em 2005 e 15+20 em 2006). E só não vendeu mais, nomeadamente durante o consulado pirata de Sócrates, porque a UE proibiu a venda de ouro para tapar os buracos orçamentais — que todos os partidos com assento parlamentar cavam alegremente, em nome da presa eleitoral, e adiando invariavelmente o pagamento da fatura. Para a corja partidária populista que nos levou à bancarrota o governo que vier, os filhos, e os netos, que paguem a crise!

Diz-se que o BdP tem ainda 382,5 toneladas de ouro. Mas terá mesmo? 
Nas demonstrações financeiras de 2011 o BdP regista entre os seus ativos: “Ouro e ouro a receber” no montante de 14 964 159 000 €.

“A receber”? Como? Porquê? Quanto? Quando?! 

Fiz algumas contas rápidas, reportadas a 31 dez 2011:

  • Preço da onça troy em 31/12/2011: 1 209,87€
  • Preço da tonelada: 38 897 569 €/T  
  • Quantidade existente estimada no (?) Banco de Portugal: 384,7 toneladas

No entanto, fazendo contas de acordo com relatórios do próprio BdP, deveria haver 600-225=375 ton. E de acordo com os jornais (Sol), 382,5 ton.

Em que ficamos? Que diz o Banco de Portugal? O dono do banco, isto é, o povo português, quer saber!

Na realidade, está na altura de exigir uma auditoria independente às reservas nacionais públicas de ouro. É que depois do roubo encoberto pela nacionalização/venda do BPN tudo é de esperar das desconfiáveis autoridades monetárias deste sítio insolvente chamado Portugal.

Qual foi a rentabilidade real das vendas de ouro realizadas entre 2002 e 2006, quando comparadas com o valor atual e futuro próximo deste metal precioso, que regressa paulatinamente ao centro da discussão sobre a natureza inflacionista da monetização das dívidas soberanas atualmente em curso?

Recolha pessoal de artigos antigos

Canal de negócios (22/07/2005)

O Banco de Portugal anunciou hoje que, ao longo dos «últimos meses», procedeu a vendas de 35 toneladas de ouro que estavam incluídas nas suas reservas, tendo já concluído a liquidação da operação.

«À semelhança das vendas anteriores, a operação teve como objectivo continuar a diversificação das reservas externas e os ganhos realizados dela resultantes serão transferidos para a reserva especial existente no Banco de Portugal», diz o banco central num comunicado.

O anterior a anúncio de venda de ouro por parte do Banco de Portugal, de 20 toneladas, ocorreu no final do ano passado. Em Maio do ano passado o banco central tinha vendido 35 toneladas.

Antes da venda das 20 toneladas no final do ano passado, as reservas de ouro do Banco de Portugal totalizavam 482,2 toneladas, que, aos preços correntes de então, estavam avaliados em 7,8 mil milhões de dólares. No final de 2002 as suas reservas ascendiam a 591 toneladas.

As vendas foram efectuadas ao abrigo do «Acordo dos Bancos Centrais sobre o Ouro», de 27 de Setembro de 2004.

O ouro tem valorizado nos mercados internacionais e os analistas estimam que assim continue, devido à perspectiva de aumento da procura por parte da China.

No mercado à vista em Londres o ouro negociava hoje nos 424,7 dólares a onça, registando uma subida acima de 7% desde Junho de 2004.

BP anuncia venda de 30 toneladas (25 Fev)

O Banco de Portugal anunciou, esta terça-feira, a venda de 30 toneladas de ouro no mês de Fevereiro, com o objectivo de diversificar as reservas externas.
Esta venda, cujos proveitos resultantes do encaixe ficam retidos na instituição, acontece depois de, em Dezembro último, o Banco de Portugal ter vendido 15 toneladas de ouro por 160 milhões de euros e realizado uma mais-valia de 40 milhões de euros.Na altura, o banco central assumiu o objectivo de reduzir o peso do ouro no conjunto das reservas externas do país, uma vez que este activo tem associada uma baixa rentabilidade financeira.Desta forma, a instituição liderada por Vítor Constâncio pretende, com as alienações de ouro, uma maior rentabilidade na gestão das reservas externas.As vendas de ouro são feitas no âmbito do acordo sobre o ouro, assinado por 15 bancos centrais em 26 de Setembro de 1999, que vigora até Setembro de 2004.Mediante este acordo, os signatários comprometem-se a vender um máximo de 400 toneladas por ano, num total de duas mil no período do acordo.O Banco de Portugal tinha negociado em 1997 e 1998 opções de venda de ouro, com datas de exercício a partir do final de 2002, pelo que a venda hoje anunciada, além de desejada, era esperada.

12 setembro 2006

O Banco de Portugal anunciou ontem a venda de 20 toneladas de ouro “nos últimos meses”, no âmbito do acordo dos bancos centrais sobre o ouro, assinado em Setembro de 2004. Desde o princípio do corrente ano, a autoridade monetária já alienou 35 toneladas de metal amarelo nos mercados internacionais. Em stock, à guarda do Banco de Portugal, permanecem cerca de 383 toneladas de ouro, após esta última operação de colocação do ouro nos mercados internacionais.De acordo com o comunicado do banco central ontem distribuído à imprensa, “a operação teve como objectivo continuar a diversificação das reservas externas”, com as contrapartidas, o produto da venda, a serem transferidas para uma conta de reserva especial.Trata-se do segundo anúncio de venda efectuado no corrente ano. Em Julho, a instituição, liderada por Vítor Constâncio, tinha anunciado a alienação de 15 toneladas de ouro.Desde 2002, o Banco de Portugal já alienou 224 toneladas de ouro, ao abrigo do acordo com os bancos centrais, destinado a concertar vendas no mercado, com o recorde de alienações anuais a situar-se nas 75 toneladas, em 2003 (ver gráfico). Como sucede habitualmente, o Banco de Portugal – por razões de mercado – não anunciou ontem valores e dados temporais associados à operação.Tomando em conta o padrão de anúncio anual de vendas de ouro – à excepção do primeiro ano, em 2002 – este poderá ser o último comunicado em 2006, já que é a prática corrente do banco apenas anunciar duas vezes por ano as vendas efectuadas ao longo dos meses.O acordo dos bancos centrais sobre o ouro, celebrado em Setembro de 2002, permite a alienação concertada nos mercados internacionais do metal amarelo ao longo de cinco anos, mas coloca restrições. É que as vendas anuais de cada um dos bancos signatários do acordo não podem exceder as 400 toneladas. Uma outra restrição impõe que as vendas totais dos bancos centrais não possam exceder as duas mil toneladas anuais.
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