Eu sou um Economista Austríaco – e como tal sempre acreditei profundamente nas implicações negativas que a intervenção do Estado na economia e no sistema de preços pode provocar. Além disso sou também um Consultor Financeiro – e assim tenho como profissão pensar em estratégias de investimento para maximizar o património de um investidor. Quando comecei a fazer o Mestrado, pensei em como juntar estas minhas duas facetas na minha tese. Primeiro, pensei em estudar Áreas Monetárias Óptimas. Mas é um tema cuja conclusão era óbvia à partida e sem grande interesse. Foi então que tive outra ideia.
Uma professora chamada Aurora Teixeira disse-me um dia: “Uma tese de mestrado tem de ser passível de ser resumida numa frase, ou então é inconcretizável”. Guiado por este princípio, eu diria que a questão em estudo na minha tese é “Qual a influência da política económica da administração americana tem nos mercados accionista e aurífero?”.
A tese desenvolve assim 2 conceitos:
- Política Económica da Administração Americana – onde havia que criar um indicador que permitisse classificar as administrações americanas como tendencialmente liberais e tendencialmente intervencionistas (sublinhe-se o tendencialmente, pois não há exemplos perfeitos);
- Retorno de uma Estratégia de Investimento – onde havia que escolher estratégias de investimento mais apropriadas a um e outro caso, o que com alguma pesquisa concluí que seriam metais e acções.
Desenvolvendo, pode-se dizer que a Hipótese em estudo era se “Uma administração com uma política económica tendencialmente liberal potenciaria o investimento em acções e uma administração com uma política económica tendencialmente intervencionista potenciaria um investimento em metais” ou se não havia evidência estatística para confirmar tal hipótese. O estudo foi feito para os EUA (facilidade de obtenção de dados agregados, peso nos mercados mundiais), para o período 1965-2009 (desde o início da variação do Preço do Ouro portanto).
Claramente a parte mais difícil do trabalho era definir as administrações como mais ou menos liberais. Para esse fim, foram elaborados 4 grupos de indicadores:
- Warfare – A administração incorre em elevados gastos com Segurança Militar ou não?
- Welfare – A administração incorre em elevados gastos com Segurança Social ou não?
- Fiscais – A Administração taxa muito os contribuintes ou não?
- Monetários – A Administração taxa muito os aforradores ou não?
Foi assim desenhado o seguinte quadro de indicadores:

Assim, os resultados foram:
- Tendencialmente Intervencionistas: LBJ, Nixon, Carter, Bush II (e Obama, se fosse até 1-1-2013)
- Tendencialmente Liberais: Ford, Reagan, Bush I, Clinton
Após esta divisão, há que seleccionar então os activos em que investir. Entre os metais, escolhi o Ouro por ser mais representativo (mercado da Prata é muito pequeno) e estável (pois a parte gasta para consumo é muito reduzida – sabiam que se pode comer ouro?), apesar de me obrigar a ciclos anuais para evitar problemas de sazonalidade. A nível de Acções, escolhi o Dow Jones, também pela sua representatividade e estabilidade. Outras escolhas também seriam possíveis – como o S&P500, o Nasdaq ou a Berkshire Hathaway – mas preferi o mais representativo para o trabalho ter mais confiança nos resultados.
Assim, antes de ver o resultado, vejamos o gráfico do Dow Jones/Onça de Ouro com os presidentes sobre o gráfico. Reparem que este gráfico representa quantas onças de ouro preciso de pagar para comprar um índice de Dow Jones. Ou seja, é o preço real do Dow Jones, não em imprimíveis Dólares, mas sim no mais confiável Ouro. Reparem também que um presidente que destrua a economia, pode imprimir Dólares (e logo manter o Dow, mas deixar explodir a Onça de Ouro) ou abster-se de tal (e logo manter a Onça de Ouro, mas deixar colapsar o Dow), pelo que o efeito é irrelevante para este gráfico ( e a não neutralidade da subida de preços é captada pelos indicadores monetários). Vejamos então o gráfico:

Com este gráfico, facilmente se conclui a vantagem de investir em Ouro durante as administrações intervencionistas/destruidoras da economia/auríferas e em Acções durante as administrações tendencialmente liberais/pró-mercado.
Ser Republicano ou Democrata não interessa. Os 1os cometem o pecado da Segurança Militar, os 2os cometem o pecado da Segurança Social. Do ponto de vista económico, o que importa é não cometer nenhum deles, ou pelo menos cometê-los na menor escala possível.
Finalmente, aqui ficam os resultados de investir em cada uma das estratégias:

Estranho? Eu diria que não. Contudo, para ajudar a explicitar os resultados, dividamos em 3 períodos, usando para isso 2 pontos de viragem essenciais: 1980 e 2000.

E se… o mercado de acções fosse o S&P? o mercado de acções fosse o Nasdaq? o mercado de acções fosse representado pela Berkshire Hathaway? o metal não fosse o Ouro (Au), mas a prata (Ag)? o critério de divisão entre metal e mercado não fosse o presidente ser aurífero ou pró-mercado mas sim o poder ser dividido entre os 2 partidos?

Como podem ver, o Nasdaq seria melhor, pois sobe mais em expansões e em crise esta-se em ouro e está-se, portanto… Além disso, o Berkshire seria ainda melhor, mas como eu não sei quem será o Warren Buffet da próxima geração…
Possíveis críticas:
- Ford, liberal? – Bem, realmente foi por pouco e há diversos factores a colocá-lo entre os intervencionistas. Se assim fosse, o retorno seria de 596.854$ (cerca de 15% de retorno);
- A posteriori Vs A priori – Bem, os dados só são conhecidos a posteriori e a decisão de investimento tem de ser feita a priori, o que coloca um problema: podemos confiar nos políticos e na sua capacidade de seguir o que promete em campanha? Não deveria Clinton ser intervencionista e Bush II tendencialmente liberal? Sim, mas a verdade é que Clinton e Bush II não alteraram muito o rácio Dow/Onça no 1º ano, pelo que não haveria diferença significativa;
- Ciclos Económicos, Estratégias de Curto Prazo, Medidas diferentes, Investimentos diferentes – tudo são possibilidades de estudo adicionais, mas ficaram foram da tese de mestrado
Então onde investir agora? Ouro. Com Obama não há dúvidas. Bush II levou o Índice de 40 para 20 no 1º mandato e de 20 para 10 no 2º. Obama levou de 10 para 6 até agora e, se eleito outra vez, talvez o leva para 3. O motivo? Obamacare, bailouts massivos, continuação da presença no Iraque, aumento da presença no Afeganistão, intervenção na Líbia, défices recordes, expansão monetária: não deixa grandes dúvidas.
Edição: Se quiser comprar Ouro, leia aqui: Como comprar Ouro.
Apresentado em: Diversas conferências na JSD, Conferência Neo-Keynesiana de Bilbao (certificado, site actual), 1ª Conferência do Liberalismo Clássico
Referências: Site da FEP, Orientador, Proposta de Tese, Defesa de Tese, YouTube da Defesa, Ficheiro Excel disponível em breve
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