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Arquivo da Categoria: Acções

A Taxa de Tobin e as suas consequências

Um colega da área financeira sobre a badalada taxa mandou-me o seguinte e-mail:

Esta medida arrasará as gestoras de activos independentes dos bancos, nomeadamente aquelas (e são várias) que não tenham estofo para deslocalizar as suas operações (até porque, resta saber se isso seria suficiente para sair do perímetro deste imposto).
A título de exemplo, e seguindo as guidelines elencadas no artigo do Independent, quem negociar futuros cotados em bolsa de forma intradiária todos os dias do ano, e vou assumir apenas dois trades por dia (um para abrir posição e outro para a fechar antes do fecho da bolsa), pagará 5% sobre as suas transacções no final do ano (0,01% * 2 * 260). E quem negociar acções de forma intradiária todos os dias do ano, pagará 52% (0,1% * 2 * 260)!!!
As contas pressupõem um investimento de 100% do valor nocional em carteira.
Ou seja, se eu tenho 100 de valor nocional para transaccionar / investir, os 5% (derivados) e os 52% (acções) far-se-ão sentir se de cada vez que eu transaccionar em mercado o fizer com os 100 iniciais
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Dito de uma forma simples, isto é basicamente para liquidar a liquidez dos mercados.
Ou seja, para liquidar os próprios mercados financeiros. As consequências lógicas são:
  1. Spreads e taxas bancárias crescentes;
  2. Dificuldade de obter financiamento, quer pessoal quer familiar;
  3. Colapso de Investimento, Produção, Lucro, Impostos cobrados, …

Os liberais deixaram o socialismo vencer várias batalhas intelectuais nas últimas décadas. O custo dessas derrotas vai começar agora a sentir-se a sério. Muita gente vai descobrir que muitos dos aspectos ligados ao (parcial e relativo) triunfo das ideias liberais na segunda metade do séc. XX e que dava por garantidos nas suas vidas afinal estão assentes em pó. E o pior talvez seja que nem percebam porquê.

 

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O Indicador do Baton

Há alturas em que uma mulher vai a um shopping para comprar algo para se sentir bem. Mas o que acontece numa época de crise?

De acordo com Leonard Lauder, vai na mesma mas, como o orçamento é reduzido, abdica de compras mais caras como vestidos e sapatos e limita-se a comprar maquilhagem em geral e baton em particular.

Nestes últimos anos em particular, as mulheres parecem estar a substituir o baton pelos tratamentos de unhas. Mas a verdadeira questão nestes anos é: quem precisa de um indicador de expectativas negativas femininas?…

Fica a curiosidade e a sugestão da Business Insider de que a recessão vai continuar.

Referências: Definição Investopedia, Definição Wikipedia, Artigo How Stuff Works, Artigo New York Times 2008Baton Não – Unhas!, pela CNBC 2011, E as Unhas?, pela Time Business 2011, Agora são as Unhas, pela Jezebel 2011Porque é tão popular, pela Jezebel 2011Gráfico Google 2007/2008 e Abordagem do fenómeno na Rússia, Abordagem do fenómeno em SingapuraIndicador Negativo, pela Business Insider 2012

 

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Corporativismo em Portugal – 500 maiores empresas do país duplicam lucros e fintam crise

De acordo com a Agência Financeira,

As 500 maiores empresas do país, segundo a lista publicada pela «Exame», mais que duplicaram os lucros em 2010, face a 2009. A Continental Mabor é a melhor empresa do ano e Alexandre Soares dos Santos recebe o troféu anual Excelência na Liderança, segundo a revista. 

No seu conjunto, as 500 companhias registaram lucros de 12,2 mil milhões de euros, um aumento de 130,2%, em grande parte impulsionado pela venda da Vivo pela PT. «Mas, mesmo sem considerar esta operação, a expansão dos lucros conjuntos das 500 M&M atingiu 27,8%, dando um pontapé na crise», escreve a «Exame». 

O grupo vendeu também mais 13,7% em 2010, revela o estudo «500 M&M», na sua 22ª edição. Este aglomerado de empresas, que representa 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB), facturou 124 mil milhões de euros no ano em causa. No ano de 2009, o grupo representava «apenas» 64,7% da riqueza produzida no país.

O sector dos combustíveis continua a liderar, em termos de volume de vendas, representando 13% do total. Este sector registou um acréscimo de vendas de 20,79%. A Petrogal é a empresa que mais factura, seguida pela EDP Serviço Universal e pela EDP Distribuição. Na quarta posição ficou o Modelo Continente e, em quinto, o Pingo Doce. 

Também a rentabilidade das vendas (quociente entre resultado operacional e vendas) mais do que duplicou, passando de 6% em 2009 para 13,1%, em 2010. «Um valor que não encontra comparação na última década», revela a «Exame». A tendência foi semelhante ao nível da rentabilidade do activo e do capital próprio. 

As 500 M&M empregam 8,7% da população empregada no país, o que ilustra bem a sua influência. Isto significa também que a rentabilidade melhorou sem redução do número de empregados. No ano de 2010, o número global de funcionários atingiu os 432 mil, mais 30 mil que no ano anterior.

Relevante é também o contributo das 500 M&M para os cofres públicos: 1,7 mil milhões de euros em 2010, mais 26% do que no ano anterior. 

Estas empresas tiveram, no entanto, de se endividar mais: o endividamento subiu de 66,8 para 72,7%. «Os negócios estão menos sustentáveis», escreve a revista. E o endividamento não é o único indicador que ilustra a maior vulnerabilidade financeira: a solvabilidade (quociente entre capital próprio e passivo) voltou a diminuir, para 37,5%. 

A liquidez geral das 500 M&M desceu, ou seja, a sua capacidade para enfrentar compromissos financeiros de curto prazo voltou a cair. A liquidez geral, que relaciona o activo circulante com o passivo circulante, passou de 127,5 para 81,4% em 2010. 

No que se refere a localização geográfica, mais de 70% das empresas têm as suas sedes na região de Lisboa e Vale do Tejo, seguindo-se o Norte com 20% e a região Centro com 5,65%. Quanto à origem do capital, 57,6% são maioritariamente nacionais. São estrangeiras 42,4% das empresas presentes no ranking. Os países mais representados são a Espanha (9,4%), França (6%), EUA (5,2%) e Reino Unido (2,6%).

Num regime Corporativista e Estatista como o Português, em que a amizade com o Estado é essencial à sobrevivência económica devido a todos os privilégios que este pode oferecer, as empresas com pouco poder político definham, e as empresas influentes  florescem. Crise é para quem não tem peso!

Assim, para as empresas com maior poder político em Portugal:
- Os Lucros variaram +130,2% (Impostos +26%)
- As Vendas variaram +13,7% (Rentabilidade das Vendas duplicaram)
- O peso no PIB atingiu 71,7% do PIB (64,7% em 2009!) (só 8,7% do Emprego)
- Sedes: Lisboa 70%, Porto 20%
- Origem do Capital: Portugal 57,6%, Espanha 9,4%, França 6%, EUA 5,2%, UK 2,6%

A economia real sofre, os empreendedores sofrem, os trabalhadores privados sofrem. Os funcionários públicos “já nos quadros” safam-se bem, os funcionários públicos “de topo” vivem à grande, as empresas com os relacionamentos certos como se vê.

Tudo isto enquanto exportamos “a geração mais bem preparada de sempre”, vendemos as empresas Portuguesas ao exterior e baixamos a taxa de natalidade para valores historicamente baixos.

Gostava de ser um optimista. Mas é cada vez mais claro o que é necessário para ser um optimista.

 

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Tese de Mestrado “Como Lucrar por Ser Liberal”

Eu sou um Economista Austríaco – e como tal sempre acreditei profundamente nas implicações negativas que a intervenção do Estado na economia e no sistema de preços pode provocar. Além disso sou também um Consultor Financeiro – e assim tenho como profissão pensar em estratégias de investimento para maximizar o património de um investidor. Quando comecei a fazer o Mestrado, pensei em como juntar estas minhas duas facetas na minha tese. Primeiro, pensei em estudar Áreas Monetárias Óptimas. Mas é um tema cuja conclusão era óbvia à partida e sem grande interesse. Foi então que tive outra ideia.

Uma professora chamada Aurora Teixeira disse-me um dia: “Uma tese de mestrado tem de ser passível de ser resumida numa frase, ou então é inconcretizável”. Guiado por este princípio, eu diria que a questão em estudo na minha tese é “Qual a influência da política económica da administração americana tem nos mercados accionista e aurífero?”.

A tese desenvolve assim 2 conceitos:
  1. Política Económica da Administração Americana – onde havia que criar um indicador que permitisse classificar as administrações americanas como tendencialmente liberais e tendencialmente intervencionistas (sublinhe-se o tendencialmente, pois não há exemplos perfeitos);
  2. Retorno de uma Estratégia de Investimento – onde havia que escolher estratégias de investimento mais apropriadas a um e outro caso, o que com alguma pesquisa concluí que seriam metais e acções.

Desenvolvendo, pode-se dizer que a Hipótese em estudo era se “Uma administração com uma política económica tendencialmente liberal potenciaria o investimento em acções e uma administração com uma política económica tendencialmente intervencionista potenciaria um investimento em metais” ou se não havia evidência estatística para confirmar tal hipótese. O estudo foi feito para os EUA (facilidade de obtenção de dados agregados, peso nos mercados mundiais), para o período 1965-2009 (desde o início da variação do Preço do Ouro portanto).

Claramente a parte mais difícil do trabalho era definir as administrações como mais ou menos liberais. Para esse fim, foram elaborados 4 grupos de indicadores:
  1. Warfare – A administração incorre em elevados gastos com Segurança Militar ou não?
  2. Welfare – A administração incorre em elevados gastos com Segurança Social ou não?
  3. Fiscais – A Administração taxa muito os contribuintes ou não?
  4. Monetários – A Administração taxa muito os aforradores ou não?

Foi assim desenhado o seguinte quadro de indicadores:

Assim, os resultados foram:
  1. Tendencialmente Intervencionistas: LBJ, Nixon, Carter, Bush II (e Obama, se fosse até 1-1-2013)
  2. Tendencialmente Liberais: Ford, Reagan, Bush I, Clinton

Após esta divisão, há que seleccionar então os activos em que investir. Entre os metais, escolhi o Ouro por ser mais representativo (mercado da Prata é muito pequeno) e estável (pois a parte gasta para consumo é muito reduzida – sabiam que se pode comer ouro?), apesar de me obrigar a ciclos anuais para evitar problemas de sazonalidade. A nível de Acções, escolhi o Dow Jones, também pela sua representatividade e estabilidade. Outras escolhas também seriam possíveis – como o S&P500, o Nasdaq ou a Berkshire Hathaway – mas preferi o mais representativo para o trabalho ter mais confiança nos resultados.

Assim, antes de ver o resultado, vejamos o gráfico do Dow Jones/Onça de Ouro com os presidentes sobre o gráfico. Reparem que este gráfico representa quantas onças de ouro preciso de pagar para comprar um índice de Dow Jones. Ou seja, é o preço real do Dow Jones, não em imprimíveis Dólares, mas sim no mais confiável Ouro. Reparem também que um presidente que destrua a economia, pode imprimir Dólares (e logo manter o Dow, mas deixar explodir a Onça de Ouro) ou abster-se de tal (e logo manter a Onça de Ouro, mas deixar colapsar o Dow), pelo que o efeito é irrelevante para este gráfico ( e a não neutralidade da subida de preços é captada pelos indicadores monetários). Vejamos então o gráfico:

Com este gráfico, facilmente se conclui a vantagem de investir em Ouro durante as administrações intervencionistas/destruidoras da economia/auríferas e em Acções durante as administrações tendencialmente liberais/pró-mercado.

Ser Republicano ou Democrata não interessa. Os 1os cometem o pecado da Segurança Militar, os 2os cometem o pecado da Segurança Social. Do ponto de vista económico, o que importa é não cometer nenhum deles, ou pelo menos cometê-los na menor escala possível.

Finalmente, aqui ficam os resultados de investir em cada uma das estratégias:

Estranho? Eu diria que não. Contudo, para ajudar a explicitar os resultados, dividamos em 3 períodos, usando para isso 2 pontos de viragem essenciais: 1980 e 2000.

E se… o mercado de acções fosse o S&P? o mercado de acções fosse o Nasdaq? o mercado de acções fosse representado pela Berkshire Hathaway? o metal não fosse o Ouro (Au), mas a prata (Ag)? o critério de divisão entre metal e mercado não fosse o presidente ser aurífero ou pró-mercado mas sim o poder ser dividido entre os 2 partidos?

Como podem ver, o Nasdaq seria melhor, pois sobe mais em expansões e em crise esta-se em ouro e está-se, portanto… Além disso, o Berkshire seria ainda melhor, mas como eu não sei quem será o Warren Buffet da próxima geração…

Possíveis críticas:
  1. Ford, liberal? – Bem, realmente foi por pouco e há diversos factores a colocá-lo entre os intervencionistas. Se assim fosse, o retorno seria de 596.854$ (cerca de 15% de retorno);
  2. A posteriori Vs A priori – Bem, os dados só são conhecidos a posteriori e a decisão de investimento tem de ser feita a priori, o que coloca um problema: podemos confiar nos políticos e na sua capacidade de seguir o que promete em campanha? Não deveria Clinton ser intervencionista e Bush II tendencialmente liberal? Sim, mas a verdade é que Clinton e Bush II não alteraram muito o rácio Dow/Onça no 1º ano, pelo que não haveria diferença significativa;
  3. Ciclos Económicos, Estratégias de Curto Prazo, Medidas diferentes, Investimentos diferentes – tudo são possibilidades de estudo adicionais, mas ficaram foram da tese de mestrado

Então onde investir agora? Ouro. Com Obama não há dúvidas. Bush II levou o Índice de 40 para 20 no 1º mandato e de 20 para 10 no 2º. Obama levou de 10 para 6 até agora e, se eleito outra vez, talvez o leva para 3. O motivo? Obamacare, bailouts massivos, continuação da presença no Iraque, aumento da presença no Afeganistão, intervenção na Líbia, défices recordes, expansão monetária: não deixa grandes dúvidas.

Edição: Se quiser comprar Ouro, leia aqui: Como comprar Ouro.

Apresentado em: Diversas conferências na JSD, Conferência Neo-Keynesiana de Bilbao (certificado, site actual), 1ª Conferência do Liberalismo Clássico

Referências: Site da FEP, OrientadorProposta de Tese, Defesa de Tese, YouTube da Defesa, Ficheiro Excel disponível em breve

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Estudo da Cotação da EDP

No último ano da licenciatura de Economia na FEP fiz dois trabalhos e obtive 20 em ambos – o outro foi a Simulação do Euro 2004. Este é essencialmente um estudo sobre a Cotação da EDP, notícias sobre a empresa e price targets sobre a acção.
Era um trabalho exploratório mas deu para tirar algumas conclusões, nomeadamente:

1. O cotação da EDP depende do mercado em geral (Portugal e internacionais) mas também das notícias. Mas as notícias afectam a EDP de uma forma estranha: quando a notícia é sobre um investimento, seja ele bom ou mau, a acção cai. Se a empresa desinvestir, o interesse pela acção sobe e a cotação sobe com ele. A explicação para tal particularidade parece estar no facto de que quem queria EDP, queria para gerar cash flows (como por exemplo grandes fundos de pensões internacionais), pelo que se a empresa dissesse que iria realizar um investimento avultado – e logo parar um pouco de gerar cash flows – esses investidores interessados no “pinga pinga” afastavam-se.

2. Os price targets eram sempre optimists. Sempre. Assim, se a cotação estivesse em queda, falhavam miseravelmente, mas se a cotação subisse, todos se aproximavam mais ou menos do valor correcto. Desde este trabalho nunca mais prestei atenção a este tipo de avaliações.

Fica o trabalho. É de leitura leve e por isso pode ser interessante para quem se interessa pelo mercado mas não tem um conhecimento muito elevado sobre o mesmo. Deixo também algumas referências para consulta, bem mais interessantes para quem já sabe um pouco mais sobre tema.

AnexoTrabalho EDP (peço desculpa pelos gráficos, mas com diferentes versões de Office…).

Referências básicas

Referências avançadas

Com o tempo irei acrescentando mais links.

 
 

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