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Arquivo da Categoria: Comunismo

CGTP em Loures, já!

Bernardino Soares admite dificuldades:

Hoje iniciou-se um processo de auditoria às contas da Câmara de Loures, com a qual, entre outras coisas, Bernardino Soares pretende aferir às áreas onde podem ser “combatidos desperdícios”.

“Temos de procurar medidas que podem ajudar a reajustar os serviços da câmara. Temos de ver onde podemos reduzir os custos”, afirmou.

Já imagino alguém na sede da CGTP: “Eh pá, camaradas: se queremos ser coerentes, temos de organizar já uma manif em Loures. Lamento, eu também gosto muito do Dino, eh pá, mas reduzir os custos é palavreado para cortes e cortes é austeritarismo. E isso pá é que não.”

Ah, não, espera. É a CGTP. A lógica não funciona por ali.

PS: e aproveito para manifestar o meu apoio ao Bernardino Soares neste medida.
Boa sorte!

PS: Um artigo interessante de Rui Ramos no Expresso. Quando a realidade esbofeteia um socialista, a austeridade não se chama austeridade, os cortes não se chamam cortes. É “fazer muito com pouco”.

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A Escola Austríaca e a refutação cabal do socialismo

Publicado no Mises Brasil, por Alceu Garcia:

Rational Economic Man

Introdução

O fracasso do socialismo como princípio de ordenamento social é hoje evidente para qualquer pessoa sensata e informada — o que exclui, é claro, os socialistas.  Estes, porém, insistem que o malogro coletivista foi um mero acidente histórico, que a teoria é fundamentalmente correta e que pode funcionar no futuro, se presentes as condições apropriadas.  Tentarei demonstrar nesse texto, recorrendo na medida das minhas limitações aos ensinamentos da escola austríaca de economia, que absolutamente não é esse o caso, que a teoria econômica (para não falar dos fundamentos filosóficos, éticos, sociológicos e políticos!) do socialismo é insustentável em seus próprios termos, e que ipso factoos resultados calamitosos constatados pela experiência histórica são, e sempre serão, uma consequência inevitável de uma ordem (rectius: desordem!) socialista.  Não é preciso enfatizar a importância de se ter plena consciência da natureza perniciosa dessa corrente política e de suas funestas implicações, uma vez que em nosso país um poderoso movimento totalitário está muito próximo de tomar o poder.

O erro dos clássicos

O núcleo do pensamento econômico socialista está na concepção do valor como decorrente do volume de trabalho necessário para a produção das mercadorias, e isso não só em Marx como também em outros teóricos como Rodbertus, Proudhon etc.  Essa teoria do valor constitui a premissa elementar da qual a mais-valia e a exploração são deduzidas.

Marx, como se sabe, não inventou a teoria do valor-trabalho. Ela foi exposta bem antes por Adam Smith e David Ricardo e, dada a autoridade desses mestres, ganhou foros de ortodoxia. É difícil entender como esses dois pensadores notáveis, cujas descobertas foram realmente magníficas, puderam fracassar tão cabalmente justamente na questão crucial do valor. Talvez por causa dos avanços das ciências naturais, que estavam revelando propriedades antes insuspeitadas nas coisas, eles imaginaram que era mais “científico” considerar o valor também como um atributo da coisa.

Vários pensadores antes de Smith já tinham tido o insight correto: o valor das coisas depende da avaliação subjetiva de sua utilidade. O valor está na mente dos homens. Hoje se sabe que os filósofos escolásticos e os primeiros economistas franceses, Cantillon e Turgot, haviam concebido uma teoria econômica superior em muitos pontos a dos clássicos britânicos, sobretudo quanto ao valor. Smith e Ricardo, porém, puseram a economia na pista errada com uma teoria do valor falaciosa e, nesse aspecto, causaram um grave retrocesso no pensamento econômico.

Mas não por muito tempo. Enquanto Marx e outros pensadores socialistas faziam da teoria objetiva do valor a pedra fundamental de sua doutrina, diversos estudiosos já haviam constatado o desacerto dessa teoria e, independentemente, buscavam alternativas. Em todo caso, não seria exagero afirmar que Marx foi um economista clássico ortodoxo e que seus mestres, Ricardo em especial, podem ser considerados os fundadores honorários involuntários do socialismo “científico”.  Por ironia, o “revolucionário” Marx foi um conservador extremado em teoria econômica, enquanto que os economistas “burgueses” austríacos empreenderam uma verdadeira revolução nesse campo científico.

A redescoberta da subjetividade do valor

Vários economistas, entre eles o austríaco Carl Menger, chegaram basicamente à mesma conclusão que seus esquecidos antecessores pré-clássicos: o valor é subjetivo.  A teoria subjetiva do valor — ou teoria da utilidade marginal — resolve o problema satisfatoriamente, sem deixar lacunas.  O valor nada tem a ver com a quantidade de trabalho empregada na produção da coisa, mas depende de sua utilidade para a satisfação de um propósito de uma determinada pessoa.  A utilidade decresce à medida que mais unidades de um dado bem são adquiridas, posto que a primeira unidade é empregada na função mais urgente segundo a escala de valores de cada um, a segunda unidade exerce a função imediatamente menos urgente etc.

Para um sujeito que já tem uma televisão, por exemplo, ter outra já não tem a mesma urgência — dito de outra forma, as TVs são idênticas, exigiram a mesma quantidade de trabalho na sua produção, mas não têm o mesmo valor.  Cada indivíduo tem uma escala de valores diferente, e o que é valioso para um pode não valer nada para outro. Até para o mesmo indivíduo a utilidade — e daí o valor — de um determinado bem varia no tempo.

Isto posto, é fácil verificar que os preços refletem a interação entre ofertantes e demandantes, cada um com sua respectiva escala de valores. Compradores e vendedores potenciais expressam suas preferências no mercado, condicionadas por suas valorações pessoais e intransferíveis, e dessa interação surge uma razão de troca, um preço, que vai variando para igualar oferta e procura ao longo do tempo, de modo que em um determinado instante todos os que valoram o que querem adquirir (no caso a TV) mais do que o que se propõem a dar em troca (no caso um preço monetário x) conseguem comprar o produto.

O fabricante de TVs, segundo Marx, primeiro fabrica o produto e da quantidade de trabalho por unidade sai o valor e, consequentemente o preço. Isso é precisamente o inverso do processo real.  Na verdade, o fabricante inicialmente faz uma estimativa de um certo preço que ele espera que atraia compradores e esgote o estoque — compradores que valorem mais a TV do que o dinheiro correspondente ao preço.  Em seguida, ele calcula o custo de produção aos preços correntes e, se for suficientemente inferior à receita final prevista, aí sim ele contrata e combina os fatores de produção para obter o produto.  Não é pois o trabalho ou de modo geral o custo de produção que determina o valor e o preço.  É justamente o contrário: o preço projetado determina o custo de produção.

O emaranhado de falácias marxistas

Visando definir o valor com mais rigor do que Ricardo e levar a teoria às suas últimas consequências lógicas, Marx acaba demonstrando involuntariamente a invalidade das proposições pertinentes.  Como seus antecessores, Marx distingue entre valor de uso e valor de troca.  Para ele, as trocas só ocorrem quando coincide a quantidade de trabalho empregada no que se dá e no que se recebe.  Só há troca, pois, nos termos marxistas, quando há coincidência de valor, que por sua vez é função do volume de trabalho despendido.  Ocorre que essa linha de raciocínio logo esbarra em um obstáculo insuperável: o trabalho é heterogêneo. Na ausência de homegeneidade, não há como tomar o trabalho como unidade de conta e medida de valor. Marx tenta superar o problema com os conceitos de trabalho “simples” e trabalho “complexo”, fixando uma proporção entre eles, mas falha totalmente. Como os preços flutuam, Marx decreta que essas variações são ilusórias; o real é um certo “preço médio” que equivale ao valor, que equivale ao volume de trabalho despendido na produção do bem.

Ao procurar fugir da rede de falácias que vai tecendo, Marx incorre em uma óbvia petição de princípio que até hoje engana os ingênuos: a medida do valor seria a quantidade de trabalho “socialmente necessário” para a produção de determinada mercadoria.  Ora, só podemos saber o que é “socialmente necessário” investigando o que leva os indivíduos que compõem uma sociedade a valorar uma coisa o suficiente para que sua fabricação seja “socialmente necessária”.  Por que são produzidos mais CDs de axé do que de música clássica?  Por que o pagode é mais “socialmente necessário” do que a música erudita?  Porque há muito mais gente que gosta de pagode do que os que preferem música erudita.

Fica claro que o que foi dado como provado, que o valor depende da quantidade de trabalho “socialmente necessário”, é precisamente o que se necessita provar.  O que é “socialmente necessário”?  É aquilo que os indivíduos desejam.  Sendo assim, é evidente que temos que procurar o valor das coisas nas preferências individuais, não no custo de produção.  Ademais, o trabalho não é o único fator de produção. Marx evidentemente sabe que o trabalho sem o fator terra — os recursos naturais — é inútil e vice-versa.  Ele assevera que só o trabalho humano cria valor, pois a natureza é passiva.

Mas se o trabalho isolado é incapaz de criar valor, o que nos impede de afirmar que o valor depende da quantidade de recursos naturais “socialmente necessários” à produção disso ou daquilo?  E, como toda produção demanda tempo, por que não pode ser o valor definido como a quantidade de tempo “socialmente necessário” para a fabricação de uma mercadoria? Nessa ordem de idéias, mais lógico seria conceber o valor como função da quantidade de trabalho, terra, tempo e capital “socialmente necessários” para a produção de um bem. No fim das contas, é isso mesmo que Marx faz no vol. III de O Capital, relacionando o valor ao custo de produção, contradizendo sua própria concepção do valor-trabalho exposta no vol. I.

Para a teoria subjetiva, todavia, não há mistério e não há exceções: o “valor de troca” não é função do trabalho ou do custo de produção, e jamais pressupõe igualdade de valor.  Se eu dou tanto valor ao que me proponho a trocar quanto ao que me é oferecido, simplesmente não troco.  Só há troca quando os valores são diferentes, quando cada parte quer mais o que recebe do que o que dá.  O contrato de trabalho não foge à regra. Cada contratante valora mais o que dá do que o que recebe, logo não há exploração.  De fato, provando-se a falsidade da teoria do valor-trabalho, invalida-se inexoravelmente a exploração e a mais valia, e todo o edifício teórico deduzido dessa teoria desaba como um prédio de Sergio Naya.

Ademais, baseando-se na “lei de ferro dos salários”, segundo a qual sempre que a remuneração do trabalho subisse acima do nível de subsistência os “proletários” aumentariam a sua prole, trazendo os salários de volta para o nível de subsistência original, Marx assegurou que o capitalismo engendrava a miserabilização crescente do proletariado. Trata-se de uma tese contraditória em seus próprios termos, vez que se a tendência fosse a de que a remuneração do trabalho permanecesse estagnada num patamar de miséria não haveria uma miserabilização “crescente”, e sim uma “miserabilidade constante”.

Na verdade, o padrão de vida dos trabalhadores não cessou de aumentar nos países capitalistas avançados, o que é o resultado natural da liberdade individual de maximizar a utilidade — o valor — nas trocas livres, voluntárias e mutuamente benéficas travadas no que se chama economia de mercado.  A consequente acumulação de capital investido per capita em grau maior do que o aumento demográfico da força de trabalho torna o trabalho cada vez mais escasso em relação ao capital — e os salários reais cada vez mais altos.

Marx, como é comum entre os intelectuais, odiava a divisão do trabalho.  Mas foi o aprofundamento da divisão do trabalho que permitiu o aumento da produtividade do trabalho e o consequente aumento do poder aquisitivo real dos salários.  O “alienado” operário que aperta parafusos na linha de montagem é recompensado pelo fato de que a produtividade do seu trabalho é tal que lhe permite adquirir produtos antes sequer existentes e ter um padrão de vida muito superior ao artesão autônomo do passado que controlava todo o processo de produção.

Marx acreditava que a livre concorrência levaria a uma superconcentração do capital. Na verdade, a concorrência força sem parar a redução de custos e preços, resultando em uma melhor utilização de recursos escassos e os liberando para emprego em novas linhas de produção.  Marx não distinguiu o capitalista do empreendedor.  Na realidade, capitalista é todo aquele que consome menos do que produz — que poupa.  Hoje, nos países civilizados, os trabalhadores são capitalistas e suas poupanças reunidas em grandes fundos de pensão e investimentos capitalizam empresas no mundo todo. O empreendedor é todo aquele que vislumbra um desequilíbrio entre a valoração corrente de custos e preços futuros de um produto qualquer, e enxerga nele uma oportunidade de oferecer aos consumidores coisas que eles valoram mais do que o seu custo de produção.  A figura do empreendedor é insubstituível — o estado não pode exercer esse papel.  Isso os comunistas (e não apenas os comunistas!) puderam verificar na prática, para sua tristeza.

No sistema de Marx, como vimos, as trocas pressupõem igualdade de valor entre os bens negociados. Acontece que, como demonstrado acima, as trocas pressupõem precisamente o contrário: desigualdade de valor.  Ou não há troca alguma.  Assim, se a realidade se comportasse como na teoria de Marx, não haveria trocas. Na realidade, ninguém trabalharia sequer para si mesmo, posto que tal atividade envolve uma substituição de um estado atual considerado pelo agente como insatisfatório por um estado futuro reputado como mais satisfatório.  Quer dizer, até o trabalho autônomo envolve uma troca e valores desiguais. O mundo de Marx seria povoado por seres autárquicos, autísticos e estáticos.  Um mundo morto.  Não admira que os regimes socialistas sofram invariavelmente de uma tendência para a completa estagnação e paralisia da atividade econômica.

A lei da preferência temporal

Outra descoberta fundamental, feita por um discípulo de Carl Menger chamado Eugen von Bohm-Bawerk, relaciona-se com a influência do tempo no processo produtivo.  Ele percebeu uma categoria universal da ação humana: as pessoas dão mais valor a um bem no presente do que o mesmo bem no futuro, posto que o tempo é escasso, e logo é um bem econômico.  Os indivíduos ao agirem elegem determinados fins e quanto mais cedo puderem alcançá-los, melhor.

Partindo desse axioma, ele obteve a explicação definitiva do fenômeno do juro, e mais, que o juro nas operações de crédito financeiras é um caso especial de um fenômeno geral.  A produção demanda tempo; do início da produção até a venda do produto há uma demora, sem falar no risco de o produto não ser vendido. Ocorre que ninguém quer esperar até que a venda ocorra para receber sua parte no total — isso se a venda realmente acontecer, e o preço for recompensador.  Os proprietários dos fatores de produção — os trabalhadores, os proprietários do espaço alugado, os fornecedores de insumos, os donos dos bens de capital — querem receber logo sua parte sem partilhar dos riscos.  Dito de outra forma, eles preferem bens presentes a bens futuros. Mas os bens presentes sofrem um desconto.  Daí receberem menos agora do que receberiam no futuro.  Ficam livres do risco, que é assumido pelo empreendedor e pelos poupadores que lhe outorgaram seus recursos.

A parcela que um determinado trabalhador agrega ao produto final — o valor do produto marginal, como dizem os economistas — pode ou não ser remunerado integralmente. Há frequentemente casos em que o trabalhador recebe mais do que produziu, quando o preço não cobre os custos, o que não tem explicação pela teoria marxista. O capitalista paga a mais-valia ao proletário!  O que é certo é que na economia de mercado há forças operando incessantemente para igualar o salário ao valor do produto marginal. Tanto o lucro quanto o prejuízo são sinais de desequilíbrio. Os prejuízos significam que os compradores não valoram um determinado bem mais do que o dispêndio mínimo corrente para produzi-lo.  Os trabalhadores estão recebendo mais do que o seu trabalho produz.  O empresário tem que reduzir custos para reduzir o preço do seu produto, ou quebra.

O lucro significa que os consumidores valoram um dado bem a um dado preço mais do que o custo de produzi-lo. Os trabalhadores estão recebendo menos do que o valor do produto marginal.  Isso quer dizer que os compradores querem mais desse produto.  O retorno alto atrai a concorrência, o que aumenta a demanda por fatores de produção — trabalho incluso — e faz cair o preço pelo aumento da oferta do produto.  A taxa de lucro baixa e os salários tendem a igualar o valor do produto marginal, descontada a taxa social de preferência temporal — o juro.

Marx nunca compreendeu — ou não quis compreender — que o empreendedor é um preposto dos consumidores e que são estes quem determinam indiretamente o nível de remuneração dos fatores de produção — salários inclusos.  A tarefa dos empreendedores é satisfazer os caprichos dos consumidores.  Nessa função ele deve assumir riscos pois o futuro é sempre incerto.  Nota-se, pois, o absurdo da condenação da produção “para o lucro” pelos marxistas vulgares e sua veneração pela produção “para o uso”.  Sucede que toda produção sempre tem por fim o consumo, i.e., o uso. A produção não é um fim em si mesmo, e sim um meio para se alcançar um fim: o consumo. O lucro e as perdas monetários são sinais fundamentais que orientam os empresários a organizar eficientemente a produção de modo a satisfazer os usos mais urgentemente desejados pelos usuários (pressupondo-se a ausência de privilégios concedidos pelo governo aos produtores em detrimento dos consumidores, tais como tarifas, monopólios, subsídios, licenças etc).

A lei da preferência temporal exerce um papel determinante no processo produtivo.  Se todos os proprietários de fatores (os empregados donos de sua força de trabalho, os fornecedores de insumos, o proprietário do espaço onde a fábrica ou loja se situa, os capitalistas) decidissem partilhar do risco e aguardar até a efetiva venda do produto final total para então dividirem pro rata a receita total, todos eles seriam empreendedores. Como, porém, o ser humano prefere o mesmo bem agora ao futuro (que é sempre incerto), surge a necessidade social de que um indivíduo, ou grupo de indivíduos reunidos (empresa), exerça essa função empreendedorial, que é absolutamente indispensável para o progresso da sociedade.

O empreendedor, assim, paga agora aos proprietários de fatores com bens presentes em troca de receber os mesmos bens (dinheiro) no futuro, correndo o risco de não receber. Esse desconto dos bens presentes em termos de bens futuros, como já assinalado, é o que se chama de juro.

A impossibilidade do cálculo econômico no socialismo

Tendo demonstrado satisfatoriamente que a crítica marxista ao capitalismo é inteiramente equivocada, resta empreender por nosso turno a crítica ao sistema socialista, conforme idealizado por Marx, seus sucessores e outras correntes socialistas. Esse sistema exige a propriedade pública dos meios de produção — terra, trabalho e capital — e o consequente planejamento central de todas as atividades econômicas.

A primeira objeção que vem à mente é a questão dos incentivos: quem planeja e quem obedece às ordens do planejador ou planejadores?  Quem determina o padrão de remuneração dos serviços e que padrão é esse?  Numa sociedade que se presume igualitária, a remuneração deve ser igual para todos os tipos de trabalho?  Nesse caso, o neurocirurgião terá o mesmo incentivo para exercer suas funções que o lixeiro?  Segundo os marxistas, cada um contribui para a coletividade segundo as suas possibilidades e recebe de um fundo comum segundo suas necessidades. Já é possível até aqui imaginar a complexidade do problema.

Pois um discípulo de Bohm-Bawerk, Ludwig von Mises, foi mais além, atingindo a raiz do problema do socialismo, que é ainda mais profunda do que a complicação dos incentivos permite vislumbrar.  Mises descobriu que a atividade econômica em uma economia complexa depende de um cálculo prévio que leve em conta os preços monetários dos fatores de produção. Impossível esse cálculo, impossível a atividade econômica.

Ocorre que, em uma sociedade socialista pura, todos os fatores de produção pertencem a um único dono: o estado. Sem propriedade privada, os fatores de produção não são trocados e, logo, não têm preço.  A escassez relativa dos fatores de produção e seus usos alternativos fica oculta e o planejador central inexoravelmente é levado a agir às cegas. Mises admitiu, para argumentar, que a questão dos incentivos não apresentasse nenhum obstáculo, que todos se empenhassem diligentemente em suas tarefas.  Ou seja, postula-se que a natureza humana seja aquela que os teóricos socialistas quiserem que ela seja, não o que ela de fato é.  Mesmo assim, na ausência de preços para os fatores de produção, o cálculo econômico é impossível e a atividade econômica se torna caótica, vez que não se pode discernir entre os vários tipos de combinação de fatores aquele que é o mais econômico.

Dado um determinado estado de conhecimento tecnológico, sempre existem inúmeras maneiras de se empreender um projeto econômico qualquer, digamos uma siderúrgica, mas somente se a escassez relativa dos fatores de produção for expressa em preços monetários será possível escolher dentre as soluções técnicas possíveis aquela que é mais econômica, ou seja, a que representa os menores custos em relação ao preço futuro do produto final, e só assim será possível avaliar ex ante se o projeto sequer é economicamente viável no momento.

Como nada disso é a priori possível em uma sociedade socialista, todos os empreendimentos tocados pelo estado não passam de um gigantesco desperdício de recursos que mais cedo ou mais tarde leva ao colapso econômico. A experiência comunista comprovou tudo isso, muito embora não tenha nunca existido uma sociedade socialista realmente pura.  A URSS podia usar o sistema de preços do mundo capitalista como referência e copiar seus métodos de produção, e um florescente e gigantesco mercado negro supria até certo ponto as monumentais falhas do planejamento estatal. Mesmo assim, a economia soviética sempre foi um caos.  Funcionou por algum tempo graças ao uso sistemático do terror como “incentivo”.  Mas o terror não pode durar para sempre.  Quando arrefeceu, foi-se o incentivo e a economia comunista anquilosou rapidamente e morreu.

A natureza dispersa do conhecimento

A crítica de Mises publicada em 1920 causou consternação na intelligentsia socialista. Ao menos o desafio foi levado a sério e muitas respostas foram aventadas.  Nos anos 1930, alguns economistas socialistas (Oskar Lange, Abba Lerner) formularam a teoria do “socialismo de mercado”, baseada nas idéias do economista do século XIX Léon Walras, que concebeu um método de equações matemáticas capazes de permitir a compreensão do estado geral de equilíbrio de uma economia.  Tudo o que se fazia necessário, pois, era outorgar certa autonomia aos gerentes das unidades produtivas de modo que igualassem o preço do produto ao custo marginal para que o comunismo funcionasse tão bem como o capitalismo.

Muitos economistas liberais eminentes, como Joseph Schumpeter e Frank Knight, aceitaram a validade dessa solução e se convenceram de que não havia obstáculos econômicos ao socialismo.  Ainda outro economista austríaco, contudo, Friedrich Hayek, discípulo de Mises, desenvolveu certos aspectos implícitos na análise de seu mestre para refutar a “solução” socialista.  O esquema walrasiano padece de um defeito fatal: é estático.  O conhecimento técnico, os recursos e as informações são considerados dados no sistema.  Hayek argumentou que o conhecimento é disperso na sociedade e a sua utilização racional é levada a efeito por cada indivíduo traçando seus próprios planos segundo circunstâncias personalíssimas e intransferíveis.  O mercado coordena esses planos espontaneamente, sobretudo por intermédio do sistema de preços, de forma muito mais racional e útil do que um planejamento central poderia esperar fazer. O planejamento central implica a supressão dos planos individuais.  Os indivíduos tornam-se instrumentos do planejador central, mas esse não pode ter jamais a esperança de coordenar a produção racionalmente. O estado de equilíbrio é uma quimera que não tem lugar no mundo real, dinâmico por natureza, e o conhecimento, as oportunidades e a informação nunca estão “dados”. Ao contrário, estão sendo incessantemente criados e ampliados através das iniciativa individuais e suas interações.

Mesmo assim, Mises e Hayek foram tidos como refutados e relegados ao ostracismo pela comunidade dos economistas.  Mises morreu esquecido em 1973, mas Hayek viveu o suficiente para rir por último quando o comunismo soçobrou e todas as análises de ambos se revelaram certas.  Ele morreu em 1992, após testemunhar a queda do Muro de Berlim e o colapso soviético.

Conclusão

Provar que na economia de mercado não existe mais-valia nem exploração, todavia, não é o mesmo que dizer que a exploração não existe.  Existe.  Ela ocorre quando somos forçados a dar alguma coisa em troca de nada, como no caso dos tributos recolhidos pelo estado.  O estado é a máquina perfeita de exploração.  E o marxismo, por conferir um poder absoluto ao estado, é o veículo insuperável da exploração sistematizada.

A doutrina socialista por ser intrinsecamente falsa leva inevitavelmente a uma perversão e inversão do sentido das palavras, como notou Orwell — por ironia ele mesmo um socialista convicto.  Liberdade é escravidão e escravidão é liberdade; democracia é ditadura e ditadura é democracia; cooperação voluntária é coerção e coerção é cooperação voluntária.  O estado socialista é dono de tudo, o que traduz a triste realidade de que os que comandam o governo são os senhores implacáveis, os proprietários absolutos dos comandados.  Socialismo é mais do que uma restauração da escravidão; é seu aperfeiçoamento e culminância.

Vale lembrar ainda que a análise acima vale para qualquer espécie de socialismo, seja o comunismo (socialismo de classe), nazismo (socialismo de raça) ou fascismo (socialismo de nação).

Tudo o que foi exposto aqui é conhecido há décadas.  Contudo, pouca gente sabe pois a intelligentsia de esquerda bloqueia a sua divulgação.  É uma vergonha, pois uma das tarefas principais dos intelectuais — os que se dedicam ao estudo das idéias — deveria ser justamente a de esclarecer a sociedade a respeito das idéias certas a serem adotadas para o bem comum, e advertir do perigo de se aceitar teorias erradas.  Mas não é isso que acontece, infelizmente.

Parece que os intelectuais sofrem de uma propensão irreprimível para o socialismo, certamente porque nele vislumbram a chance de empalmar o poder absoluto em causa própria.  Em termos marxistas, o próprio marxismo não passa de ideologia, a falsa consciência, que uma classe — a intelligentsia — difunde em função de seus próprios interesses. Essas falsas idéias se propagam e iludem — alienam — as futuras vítimas da classe “revolucionária”.  É um dever inadiável de todo cidadão consciente denunciar esse esquema podre, desmascarar a falácia socialista e esclarecer a opinião pública na medida de suas possibilidades.

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Leituras indispensáveis que complementam o artigo acima:

Mises contra Marx

O cálculo econômico sob o socialismo

O que é realmente o socialismo e qual o seu maior problema

 
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Publicado por em 3 de Setembro de 2013 in Brasil, Comunismo, LvMI, Teorias Eco.

 

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Mentalidade de Esquerda

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Exemplo prático, por um deputado eleito do PCP (Fb):

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O que deve então fazer um político para ser eleito? Comprar votos com promessas. Exemplo:

A senhora Amador começa por dizer que a Câmara aderiu à Rede Europeia de Cidades Amigas da Pessoa Idosa, assinou a Carta de Dublin (um “compromisso”) e ganhou prémios (não especificados)… portanto teve um “reconhecimento nacional, europeu e internacional”. Mas isso mostra apenas a atitude e nem é o grave.

O grave é prometer torrar todo o dinheiro possível com um grupo de eleitores, para comprar o seu voto. Isso é ser cega para o que acontece à sua volta, não ser solidária para com o resto do país – e sobretudo com os jovens que herdarão a dívida, muitos dos quais ainda nem sequer podem votar – e ir pelo caminho fácil: o de tentar corromper as pessoas, comprando votos através da oferta de algo pedindo nada em troca.

No fundo, o que esta profissional diz é: Séniores, votem em mim pois eu vou taxar uns e deixar a dívida para outros para vos dar tudo o que consigo imaginar.

E isso a esta altura deveria ser ilegal. Mas como não o é, é apenas imoral.
 

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Cuba em filme: “Período Especial – O Fim que Não Acaba”

Muita gente não tem ideia de quão lesiva pode ser a intervenção do Estado em toda a economia, até conviver com ela no dia-a-dia. Os controlos económicos implicam controlos políticos e sociais em escala crescente até que toda a economia e todas as opções das pessoas são decididas por uma pessoa que não conhecemos e que não nos quer conhecer.

Enquanto não chega o filme, fica aqui o trailer:

Fonte: Rui Carmo n’O Insurgente, Fotogaleria Sábado.

Anexo a partir da Sábado (para evitar que saia do ar):

Helena Canhoto tentou passar por turista. Levou uma câmara pequena e o iPhone, e queria filmar cubanos de várias regiões. Mas quando tentou viajar pelo país ameaçaram-na de prisão.

Por Tânia Pereirinha

Desde que, em 2009, passou quatro meses em Havana, a estudar cinema na mítica Escuela Internacional de Cine y Televisión, fundada em 1986 por Gabriel García Marquez com o apoio de Fidel Castro, Helena Canhoto decidiu: um dia iria filmar um documentário sobre o país. Na altura congeminou um plano, num almoço em casa de Miriam Socarras, uma conhecida actriz cubana, agora com 72 anos, para o qual tinha sido igualmente convidado Herberto Mattel, argumentista, também septuagenário. “De alguma forma eles também se fascinaram pelo meu fascínio por Cuba. Ele dispôs-se prontamente a escrever o guião”, conta Helena à SÁBADO.

Como já deu para perceber, o filme foi feito, chama-se ‘Período Especial: O Fim Que Não Acaba’, tem cerca de 30 minutos, já foi entregue à aprovação dos júris de uma série de festivais de cinema do género, Doc Lisboa incluído. Só não foi feito com guião de Mattel: “Voltei para Portugal poucos dias depois e tentei entrar em contacto por e-mail com ele e com a Miriam. Um ano depois descobri que os nossos e-mails estavam a ser comidos pela censura.”

Depois de meses de comunicação via bilhetes enviados por amigos de amigos que visitavam a ilha, Helena, 27 anos, deixou de conseguir contactar o argumentista. E percebeu que tinha de se lançar no projecto a solo. A oportunidade surgiu quando, no início de 2012, foi convidada para integrar, como assistente de produção, uma equipa de cinema alemã que se preparava para filmar uma curta-metragem em Havana. Não podia ser só uma coincidência, acabou por transformar-se no álibi perfeito: “Não podia ir para Cuba sem uma justificação.”

Ficou no país quatro meses: durante três semanas trabalhou na curta, no resto do tempo dedicou-se ao documentário, feito com um orçamento de apenas três mil euros, entre dinheiro que poupou e que pediu emprestado aos pais.

“A minha ideia original era ir sozinha de mochila, como turista, fazer um percurso que incluía Havana, Cienfuegos, Baía dos Porcos, Santa Clara (onde fica o mausoléu do Che Guevara), Holguin e Camaguey. Depois ia para a Serra Maestra, onde foi iniciada a revolução de Fidel e terminava em Santiago de Cuba. Em Portugal preparei um dossier com os contactos das casas particulares de confiança para ficar nesses lugares todos”.

Mais uma vez, a realidade trocou-lhe as voltas: a actual produtora executiva da brasileira Colisão Filmes, com sede em São Paulo, não chegou a sair da capital.

A ideia era filmar, com uma câmara pequena e com o iPhone, em que incorporou um microfone, os depoimentos de uma série de cubanos, de várias zonas da ilha, sobre o período histórico do país conhecido como “Especial”.

“Com a queda da ex-URSS [em 1991], Cuba ficou desamparada. Numa semana tinham todo o apoio soviético, na outra não tinham nada. Os armazéns ficaram vazios, não havia luz, água, gás. E as poucas coisas que sobravam eram vendidas como comida. Vendiam piza com preservativos derretidos por cima, disfarçado de queijo, e vendiam sanduíches em que o que ia dentro não era um bife mas um esfregão cozinhado com temperos numa frigideira. Parece um filme mas aconteceu e não há muito tempo”, explica Helena. Que assim que se dispôs a apanhar o primeiro autocarro para fora de Havana foi avisada de que se tentasse fazer o documentário seria presa no primeiro destino. E que se aí conseguisse escapar, a apanhariam no seguinte.

“Ficas presa durante 25 anos sem direito a julgamento”, avisou-a um homem no campus da Escuela Internacional de Cine y Televisión. Que sabiam quem ela era e o que andava a fazer e que até então a tinham tolerado, mas que o melhor era parar por ali. Teve medo. Não parou, mas decidiu que ia rodar o filme apenas em Havana.

“Lá era mais fácil proteger-me, há muitos turistas, andava de chapéu de palha e sandálias, a olhar para todo o lado como se fosse a minha primeira experiência em Cuba. Nem sempre funcionava, entrei em casa de pessoas que são vigiadas 24h por dia como é o caso do Gabriel Calaforra, ex-embaixador na Polónia, que tem reuniões semanais para falar de política em casa com jovens interessados no assunto, acto esse que é penalizado por lei e constitui «tentativa de alteração da estrutura do sistema»”, justifica.

Ao todo, ‘Período Especial: O Fim Que Não Acaba’ (ainda sem data de estreia mas com exibição assegurada em Dezembro, na XII Mostra de Documentários sobre Direitos Humanos, organizada pela Amnistia Internacional no Centro Olga Cadaval, em Sintra) conta a história de sete cubanos. Uma estudante universitária, um pai contra-revolucionário, um professor doutorado, uma actriz que tem fotos com o rei de Espanha no hall de entrada, uma engenheira que estudou na Rússia e foi fundadora das milícias das tropas territoriais, um ex-embaixador e uma professora universitária na reforma.

De fora, Helena Canhoto deixou dois entrevistados. Na edição do filme, que só foi capaz de começar quase um ano depois de ter deixado a ilha, também houve muito material a ser cortado. Culpa da censura existente no país e da hipersensibilidade do tema:

“Só quando entrava na casa das pessoas e fechava a porta é que explicava que queria falar do Período Especial, da fome, da experiência verdadeira. Quando disse que queria ouvir a verdade, nem sempre foi fácil, houve pessoas que disseram coisas totalmente diferentes quando liguei a câmara. E eu compreendi porque elas continuam lá, e têm família e há consequências. Eu própria censurei a montagem, com consciência de que algumas afirmações podiam acabar com a vida dessas pessoas: não digo que digo que as vão matar, claro, mas sanções sociais, desemprego, tudo lhes pode acontecer.”

Ela própria teve muito medo de não conseguir sair do país incólume e – quase tão importante quanto isso – com o material que filmou. Dias antes da partida, começou a ficar nervosa. Depois de copiar os 250 GB de vídeo que tinha capturado para vários cartões de memória, entregou os originais a um conhecido, de nacionalidade brasileira. Combinou com ele: se chegasse bem a Portugal, ligava-lhe e ele formatava o disco; se lhe acontecesse alguma coisa e as imagens fossem apreendidas, ligava-lhe e congeminavam outra forma de as tirar da ilha.

No dia do regresso, foi para o aeroporto com um papel dobrado na mão, com o número de telefone da Embaixada de Portugal em Cuba. Chegou a pensar que ia ter de o usar quando, já dentro do avião, já na pista, percebeu que se passava alguma coisa e que o comandante tardava em anunciar a descolagem. Terão sido apenas alguns minutos, mas para a portuguesa, aterrorizada com a ideia de que as portas se poderiam voltar a abrir, para dar passagem à polícia do governo cubano, pareceram horas. Quando finalmente deixou de ver o recorte da ilha através da janela, largou num pranto.

“Chorei de tristeza e alívio. As minhas amizades cubanas diziam que Cuba era também a minha casa. E eu sabia que, na verdade desse sentimento, tinha cumprido a minha missão e que isso me impedirá de lá voltar por tempo indefinido. Mas como também aprendi com o povo cubano, a indefinição faz parte da vida. Por isso, não tenho pressa.”

 

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Cuba recebe a solidariedade da CGTP

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Camaradas, não se esqueçam de participar de forma activa no encontro de solidariedade para com os trabalhadores e o povo de Cuba – serão aqueles e estes entidades diferentes? – e que contará com a presença do artista Raymundo Navarro.

A onda de solidariedade da central sindical que promove a unidade sindical como slogan parece imparável e nada nem niguém a consegue parar na sua força dialéctica. Se provas mais fossem necessárias, bastava recordar a posição da CGTP sobre os acontecimentos na Polónia. Trata-se de um documento histórico pago, onde se se une numa só substância a reafirmação da solidariedade dos trabalhadores da CGTP com os verdadeiros trabalhadores polacos. Camaradas, não se esqueçam: a  CGTP está sempre ao lado dos verdadeiros trabalhadores. Assim, vale a pena!

Fonte: Rui Carmo n’O Insurgente.

 

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Medidas PCP para a Crise

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O PCP decidiu parar de se esconder atrás de discursos generalistas e lançou 12 medidas concretas para Portugal neste momento de crise.

Aqui estão elas:

  1. Aumento dos salários – incluindo aumento do salário mínimo nacional no imediato para 515 euros, reposição efetiva dos cortes salariais e dos subsídios de férias e de Natal na administração pública.
  2. Aumento das pensões, através de uma atualização extraordinária, com particular incidência nas pensões mais baixas, aumento este que não pode ser inferior a 25 euros.
  3. Alargamento do acesso ao subsídio de desemprego, aumento da sua duração e dos seus montantes.
  4. Reposição do abono de família retirado às crianças pelas alterações efetuadas pelo anterior e pelo atual Governo, repondo a totalidade dos escalões para efeitos de atribuição do abono de família e a majoração em 25% nos 1º e 2º escalões, avançando no sentido de garantir a sua universalidade;
  5. Congelamento do preço dos transportes e anulação dos aumentos verificados em 2012 e 2013.
  6. Retoma do processo de preços regulados, visando a diminuição do preço dos combustíveis para valores compatíveis com as necessidades das famílias e da economia.
  7. Estabelecimento de um preço máximo para 2013 num conjunto de bens essenciais básicos alimentares e de higiene, designadamente anulando os aumentos de IVA que sobre eles tenham incidido.
  8. Congelamento dos preços e anulação dos aumentos processados em 2013 de serviços essenciais, incluindo designadamente a eletricidade, o gás e as telecomunicações básicas.
  9. Congelamento dos aumentos das portagens e anulação dos aumentos já verificados em 2013 e eliminação das portagens nas ex-SCUT.
  10. Anulação do aumento anual das rendas e revogação da nova lei do arrendamento.
  11. Anulação dos aumentos das taxas moderadoras nos últimos dois anos.
  12. Reforço dos meios de ação social direta e indireta, para garantir a frequência e o sucesso escolares aos estudantes do ensino superior.

Assembleia da República, em 17 de janeiro de 2013

Mas descansem, pois…

O PCP propõe assim 12 medidas, de entre muitas outras que seriam justas e são necessárias, no sentido de garantir um alívio mínimo na vida de milhões de portugueses, de portugueses, de reformados e das suas famílias.

Estas medidas imediatas são inteiramente viáveis. São-no no que toca à despesa pública uma vez que o seu volume é incomparavelmente inferior ao que o Governo entrega de bandeja ao setor financeiro e aos grupos económicos. E são-no também no que toca ao setor privado onde uma redução dos escandalosos lucros acumulados à custa da vida das pessoas e da economia nacional é uma medida da mais elementar decência.

Vamos lá resumir a história:

  1. Esquerda leva Estado a ter despesas incomportáveis e com retorno financeiro inexistente;
  2. Esses gastos não apresentam qualquer retorno (“estímulo”) e a dívida cresce;
  3. Dívida cresce durante 15 anos (1993-2008);
  4. Juros começam a crescer e tornam-se incomportáveis (travão automático ao endividamento);
  5. Juros devem-se a dívidas, dívidas devem-se a exigências da esquerda – logo, é injusta;
  6. Juros não devem ser pagos, entregue-se mais a reformados e outros eleitorados PCP.

Faz sentido…

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