Com esta, ainda há pouco tempo enganei um professor de matemática:
Todos nós ouvimos palavras em inglês. Mesmo que não o saibamos, a globalização obriga-nos a isso.
Por isso mantenho este desafio na versão original:
“Há mais palavras acabadas em “i-n-g” ou em “i” e duas letras quaisquer?“
Pense um pouco…
Em “ing” todos nós ouvimos muitas vezes. Afinal, eles usam muito o gerúndio e depois ainda há toda uma colecção de palavras comuns que eles dizem acabadas assim. “Mas afinal, é número de palavras, ou utilizações?”, perguntará o leitor. É indiferente: a resposta é mesma. Afinal, palavras com “i” e mais duas letras deve ser difícil de encontrar.
Creio que é fácil dizer que há mais palavras acabadas em “ing” do que em “i”+2.
Certo? Errado. E pode ter a certeza disso.
Afinal, todas as palavras acabadas em “ing” pertencem ao conjunto de “i”+2, e além disso ainda há mais algumas que pertencem a esse conjunto. Como o 2º conjunto inclui o 1º e ainda mais algumas, é uma conclusão necessária que há mais palavras no 2º caso do que no 1º.
É um “túnel da mente” conhecido e muito útil. Consiste em falar de algo familiar e que fica no ouvido (logo, que se assume “comum”), por contraposição a algo mais geral mas de difícil valorização. Muito útil para comparações. Basta arranjar algo que tome o lugar das palavras terminadas em “ing” (“ing”) e depois dizer que o caso pretendido (“XD”) é ainda mais comum! Já outro menos pretendido (“=[“) é menos comum do que algo que seja tão frequente como “i”+2 (“i”+2). Reparem que dizer que “ing” < “XD” e que “=[” < “i”+2 nada prova sobre XD e =[. Mas se o público acreditar que “ing” é mais comum que “i”+2, então é claríssimo que XD é muito mais comum que =[.
Como usar? Basta arranjar algo familiar mas estatisticamente pouco comum (“ing”) e algo longe dos holofotes dos média mas muito mais relevante do ponto de vista real (“i”+2). Depois é uma brincadeira de crianças: Compara-se o que se quer valorizar com “ing” e o que se quer menosprezar com “i”+2. Mesmo que o que se queira valorizar seja mais comum, o resultado é o pretendido. Sem nunca ter mentido, claro!

Para ler mais sobre este e outros Túneis da Mente, ler “A Ilusão de Saber“, de Massimo Piattelli-Palmarini (Circulo de Leitores na Amazon) – Um livro que eu recomendo fortemente para quem quiser as partidas que o seu cérebro lhe prega.
Hoje deixo-vos com Mark Twain,
“Facts are stubborn, but statistics are more pliable.”