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Arquivo da Categoria: Regulação

Políticas de esquerda aumentam desigualdade

The Blue-State Path to Inequality (The Independent InstituteWall Street Journal):

For those in Washington obsessed with reducing income inequality, the standard prescription involves raising taxes on the well-to-do, increasing the minimum wage, and generally expanding government benefits—the policies characterizing liberal, blue-state governance. If only America took a more “progressive” approach, the thinking goes, leaving behind conservative, red-state priorities like keeping taxes low and encouraging business, fairness would sprout across the land.

Among the problems with that view, one is particularly surprising: The income gap between rich and poor tends to be wider in blue states than in red states. Our state-by-state analysis finds that the more liberal states whose policies are supposed to promote fairness have a bigger gap between higher and lower incomes than do states that have more conservative, pro-growth policies.

Claro que o mito de que o Salário Mínimo, os Impostos altos, e a expansão dos Benefícios Estatais já foi abordada muitas vezes neste blog – não só em termos teóricos (outrooutro), mas também com exemplos concretos como Detroit (e depois…) – mas é sempre bom haver estudos econométricos sobre o coeficiente de Gini.

Ajuda a mostrar o verdadeiro efeito das políticas de esquerda: um empobrecimento geral da sociedade e um enriquecimento apenas dos rentistas que rodeiam o sistema – estatais, sindicais, bancários e construtores, só para citar alguns.

 

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Pedro Cosme sobre Investimento, crescimento, salários e desemprego

Pedro Cosme no seu blogue, Económico e Financeiro, sobre a política económica de PS e PSD:

Ontem ao almoço o meu amigo SP lembrou-me desta discussão. 

Quando em 2010 o falecido António Borges e o vivo Vítor Bento (e eu) começaram a dizer no espaço público que a nossa economia precisava de um “ajustamento em baixa dos salários para combater o desemprego e melhorar as nossas contas com o exterior”, os esquerdistas gritaram, berraram, guincharam e zurraram que o desemprego apenas poderia ser combatido com mais investimento (em TGVs, autoestradas e energias renováveis), mais crescimento económico e salários mais elevados (para aumentar o consumo).
Até houve uns da Universidade do Minho que escreveram que diminuir os salários (pela transferencia da TSU) até causaria aumento do desemprego. Na altura dei-lhes uma marretada que, naturalmente, não gostaram nada. Ainda no outro dia vi um deles, que até é bom rapaz, mas fizemos de conta que não nos vimos.

Mas, decorridos 3 anos, o desemprego está a diminuir rapidamente.

Depois de uma taxa de desemprego (sem correcção da sazonalidade) de 18,1% em Janeiro de 2013, 930 mil pessoas desempregados, o desemprego começou a cair e atingiu no fim de 2013 uma taxa de 15,3%, 812 mil desempregados.
Nos últimos 11 meses, o número de desempregados diminuiu em 710 por cada dia útil num total de 172 mil. Se descontarmos os 5,5% da “taxa de pleno emprego” (non inflationary unemployment rate), em apenas 11 meses, 22% dos desempregados saíram dessa situação.
Fixemos este valor de 22%.

“Mas está pior que em Junho de 2011″ (esquerdistas).

Os defensores da catástrofe que resultou do governo Sócrates + Teixeira dos Santos, mesmo já tendo  a voz embargada, querem comparar o actual nível de desemprego (15,3%) com o nível que existia no último mês de Sócrates (12,1%). Assim, dizem que as politicas do Coelho, globalmente, fizeram o desemprego aumentar em 3,2% da população activa, mais 150 mil desempregados.
Mas então, esses esquerdistas também precisam comparar a taxa de desemprego no fim do socratismo (12,1%) com o que se verificava na data da sua entrada, em Março de 2005 (8,3%). O socratismo aumento o desemprego em 3,8% da população activa, mais 200 mil desempregados, quando tinha prometido criar 150 mil postos de trabalho. Foi apenas um desvio entre o prometido e o concretizado de 350 mil postos de trabalho.
A brilhante política de investimento e crescimento teve pior impacto que a “catastrófica política de austeridade” do Passos Coelho.
E tudo indica que o Passos vai chegar ao fim do seu mandato com a taxa de desemprego que encontrou quando tomou posse (ver, Fig. 1). Vamos chegar a meados de 2015 com 12,1%.

Fig. 1 – Taxa de desemprego (dados:INE). Só um cego não vê que está a cair.

“Não pode ser. O emprego tem que estar a diminuir” (esquerdistas).

Apesar de ser por demais evidente que o desemprego está há 11 meses a cair, os esquerdistas continuam a afirmar que da “politica catastrófica neo-liberal e de direita” só pode acontecer destruição de emprego.
Com este pressuposto na cabeça, a diminuição do desemprego só pode ser por causa da emigração e do crescimento dos desanimados. Esta tese já foi apresentada com grande destaque no JN e ontem mesmo fez capa no Diário Económico (“Emigração explica 2/3 da queda da taxa de desemprego”) mas É COMPLETAMENTE FALSO.
A verdade, que já apresentei no outro dia (ver artigo), na fase de 2008-2012, por cada 3 empregos destruídos, duas pessoas foram para o desemprego e 1 pessoa perdeu-se (foi para a emigração e para a inactividade). Mas esta perda de activos foi 1/3 e não 2/3. Quer isto dizer que, se não fosse esta perda, em princípios de 2013 a taxa de desemprego teria atingido os 23%.
Mas olhando para os dados trimestrais do Eurostat (ainda não saíram os dados do 4T2013), no 1T2013 essa tendência inverteu-se: havia então 4433 mil empregados e no 3T2013 havia mais 120mil, 4554 mil empregados. Por cada 19 pessoas que saíram do desemprego foram criados 20 postos de trabalho. Assim, recuperou-se um desanimado.

“Então, o investimento aumentou desmedidamente” (esquerdistas).

Como o desemprego está a diminuir tão rapidamente, se as teses dos esquerdistas estivessem certas iríamos observar nas estatísticas um enorme aumento do investimento privado (já que o público está , felizmente, parado).
Fui ao INE buscar os dados e, para meu espanto, o nível de investimento mantém-se abaixo dos 65% do nível do primeiros mandato do socratismo (nos 6MM€/trim para uma depreciação de 7,5MM€/trim o que dá um investimento liquido negativo).

Fig. 2 – Evolução do investimento, MM€/trim, preços constantes (dados: INE)

Não é possível.

Estou confuso. Já compreendo porque os do PS andam meio abananados com estas coisas do desemprego ao ponto do João Galamba vir agora defender que “o preferivel é aumentar os impostos”.
Mas não foi este mesmo Galamba que, em 2012, quando o Gasparzinho anunciou um “brutal aumento dos impostos”, veio gritar a pedir cortes na despesa pública?
Decorrido um ano, afinal, o PS vem dizer que o Gasparzinho estava no bom caminho e o que é preciso é aumentar ainda mais os impostos.

Fig. 3 – “Escreva o que eu digo pois sou uma pessoa de uma só palavra: quando for o PS a mandar, vamos aumentar os impostos e anular os cortes na despesa porque é a despesa que combate o desemprego“.

Os custos do trabalho diminuíram.

Quando em 2010 o falecido António Borges e o vivo Vítor Bento (e eu) gritaram pela necessidade de diminuir os custos do trabalho fosse pelo aumento do horário de trabalho, da diminuição dos salários ou da flexibilização do mercado de trabalho, a esquerda chamou dois prémios Nobel e um fulano qualquer brilhantíssimo (o meu ex-amigo Ricardo Reis) para contra-gritarem que, para o desemprego diminuir, os salários tinham que subir.
Também vieram os sindicatos e os patrões pedir um aumento do salário mínimo mas a pagar pelo Passos Coelho.
A lógica era que, mais salários transformam-se em mais consumo que se transforma em mais procura o que leva as empresas a empregar mais pessoas diminuindo o desemprego e a despesa em apoios sociais.
É a argumentação mais estúpida que algum ser humano pode avançar.
É como dizer que comer mais emagrece porque se gasta mais energia na digestão.
Mas os custos do trabalho reduziram 15% relativamente aos nossos parceiros da Zona Euro, exactamente como eu achava necessário. Foram 5% ainda no tempo final do Sócrates e mais 10% no período inicial do Passos Coelho (ver, Fig. 3).

Fig. 4 – Evolução dos custos do trabalho relativamente aos nossos parceiros da ZE (dados: Eurostat)

Retomemos o número.

Uma queda de 15% nos custos do trabalho induziram até agora uma queda no desemprego de 22%.
Então, cada 1% na redução nos custos do trabalho induziram uma redução de 1,5% no número de desempregados.
Afinal, o modelo teórico que garante que uma redução nos custos do trabalho induz uma redução no desemprego (e um aumento no emprego) está mais certo que toda a evidencia empírica que esse pseudo-craques esquerdistas foram arranjar para negar o que dizia (e diz) a teoria.

Fig. 5 – A teoria sempre disse e diz que, quando o desemprego é elevado, a redução dos salários diminui o desemprego e aumenta o emprego. Negar isso é a mesma coisa que dizer “eu sou estúpido”.
Pedro Cosme Costa Vieira
 

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A falácia do aumento da dívida pública (Carlos GP sobre Sócrates)

Carlos Guimarães Pinto desmonta comentário de Sócrates na RTP sobre Aumento da Dívida:

Uma das 3 pessoas que faz o sacrifício de ouvir o comentário de Sócrates aos Domingos na RTP, tratou de informar as redes sociais que o antigo primeiro-ministro se queixou ontem do aumento da dívida pública nos anos do governo PSD-CDS. Os números, de facto, não enganam, como podem ver no gráfico abaixo:

Evolução da dívida pública (mil milhões de Euros) e em % do PIB (%)

Divida
Fonte: Pordata, Banco de Portugal

A tendência desde o último ano completo de governação Sócrates é de facto assustadora: subiu 53 mil milhões de euros, qualquer coisa como 35% do PIB em apenas 3 anos. Excepcionalmente, Sócrates diz a verdade. Se quisesse levar a retórica mais longe, até poderia dizer que se acumulou tanta dívida pública desde que ele deixou o governo como no total dos seus mandatos.

Claro que é de esperar que a dívida suba enquanto existirem défices públicos. Comentadores como José Sócrates que defendem metas mais fléxiveis para o défice dificilmente se poderão queixar que a dívida pública aumenta. Não podem defender ao mesmo tempo que haja défices mais altos e depois criticar que a dívida pública resultante desses défices aumente. A dívida pública é isso mesmo: o resultado da acumulação de défices. Mas será mesmo assim? Para analisar a veracidade desta relação económica, podemos observar abaixo a evolução do défice das contas pública e o crescimento da dívida pública.

Evolução do défice das contas públicas e crescimento da dívida pública (mil milhões de Euros)

Dividaedefice
Fonte: Pordata, Banco de Portugal

A relação efectivamente mantém-se. Na maior parte dos anos a dívida pública aumenta no mesmo montante do défice público com umas pequenas diferenças, os chamados ajustamentos défice-dívida. Estes ajustamento são quase sempre bastante pequenos, mas há uma notável excepção: os anos imediatamente a seguir à saída de Sócrates. Nesses anos, a dívida pública aumentou bastante mais do que o défice das contas pública levaria a pensar. Isto deveu-se a 3 factores:

  1. O salvamento dos bancos, algo que qualquer governo no actual panorama partidário teria feito. A alternativa a esta medida seria os depositantes de alguns bancos menos sólidos (BCP, BANIF,…) terem ficado sem parte dos seus depósitos, como em Chipre.
  2. A variação nas reservas de segurança do estado. Parte da dívida contraída refere-se a um aumento de reservas do Estado, ou seja dinheiro não alocado a despesa que fica em depósitos garantindo uma almofada caso falhe crédito. Foi esta a almofada que faltou em Maio de 2011 e que empurrou Sócrates para o pedido de ajuda antes das eleições, sob o risco de o país falhar o pagamento de salários e pensões nos meses seguintes.
  3. Finalmente, o pagamento das dívidas a fornecedores. Como a dívida a fornecedores não entra para os cálculo de dívida pública, uma forma fácil de um governo esconder a dívida pública é faltando ou atrasando o pagamento aos seus fornecedores. Esta dívida era bastante elevada quando Sócrates deixou o governo, particularmente na saúde. O pagamento dessa dívida pelo actual governo também contribuiu para um aumento da dívida pública.

Ou seja, grande parte da dívida pública foi para salvar um sistema bancário deixado de rastos pelas políticas económicas, para repôr as reservas de dinheiro que o governo Sócrates depletou até não haver suficiente para pagar salários e reformas, e para pagar os calotes deixados por esse mesmo governo, nomeadamente no sector da saúde.

Podemos ainda apontar o facto de que mesmo uma parte do défice actual se deve aospagamentos das PPPs assinadas por Sócrates, outra forma de disfarçar dívida e défices passados. Antes das PPPs, um governo que construisse uma auto-estrada teria que contar com essa despesa no orçamento do ano em que a auto-estrada fosse construida, aumentando o défice. Utilizando uma PPP, um governo pode construir uma auto-estrada sem qualquer impacto no défice, empurrando esse custo e respectivos juros para os governos seguintes.

socrates 1Sócrates tem razão quando diz que a dívida subiu bastante imediatamente após a sua saída do governo. Mas não deve esquecer que esta é, maioritariamente, a sua dívida.
A dívida que Sócrates escondeu através das PPPs, dos calotes a fornecedores, do esvaziamento das reservas de segurança do estado que quase deixaram o país sem capacidade de pagar salários e pensões, e do caos em que as políticas do seu governo deixaram o sistema bancário.

 
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Publicado por em 3 de Fevereiro de 2014 in Dados, Pol. Orçamental, Política, Portugal, Regulação

 

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A Co-Adopção n’O Insurgente

Nestes dias surgiram diversos textos sobre o tema n’O Insurgente. A saber:

  1. Igualdade para casos Iguais? – Ricardo CM
  2. A Coacção – Daniela Silva
  3. As lógicas partidárias da co-adopção – Carlos GP
  4. Ignorância, ideias pré-concebidas e evolucionismo – Carlos GP
  5. A igualdade não vai a votos numa democracia liberal – Alexandre HC
  6. Uma carta sem selo – Mário AL
  7. O lugar da co-adopção na agenda LBGT – André Azevedo Alves
  8. A ILGA e os Referendos – André Azevedo Alves

Boas leituras.

 

 
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Publicado por em 24 de Janeiro de 2014 in Política, Portugal, Regulação

 

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A diminuição das bolsas de doutoramento em Portugal

Resumo da discussão sobre a queda nas bolsas de doutoramento (Carlos GP, n’O Insurgente):

  1. Não se espera que o conhecimento gerado nas universidades seja do interesse das empresas porque não é esse o seu objectivo
  2. Também não se pode pretender avaliar o impacto do investimento em investigação porque o conhecimento desenvolvido é abstracto e os resultados só se vislumbram ao fim de décadas
  3. Os contribuintes devem acreditar cegamente que o conhecimento que está a ser desenvolvido nas universidades gera resultados, apesar de nem os investigadores terem incentivos para tal, nem esses resultados poderem ser medidos
  4. Num ambiente em que o trabalho não pode ser avaliado externamente e o impacto não pode ser medido há, no entanto, a certeza absoluta de que a despesa deve continuar a ser aquela que era realizada até hoje (e não metade ou o triplo) e distribuída pelas áreas em que foi distribuida até hoje. Não só não é possível calcular os benefícios como aparentemente não existe custo de oportunidade.
 

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The Fall of France

Newsweek, sobre a República que é a inspiração de Tó Zé Seguro.

From a senior United Nations official who is now based in Africa:“The best thinkers in France have left the country. What is now left is mediocrity.”

From a chief legal counsel at a major French company: “France is dying a slow death. Socialism is killing it. It’s like a rich old family being unable to give up the servants. Think Downton Abbey.”

Taxe de luxe

 

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A “sazonalidade” da queda do desemprego em Portugal

André Azevedo Alves, n’O Insurgente, sobre a “sazonalidade do desemprego”:

desemprego

  1. PCP explica queda com emprego sazonal e diz que o país precisa de outra política
  2. Sindicatos: queda do desemprego é apenas sazonal
  3. CGTP atribui descida da taxa de desemprego à sazonalidade
 
 

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