Seguro representou uma correcção do estilo de Sócrates. Mas a correcção de forma não trouxe consigo uma também desejável correcção de conteúdo, que mantém os tiques socialistas.
Vamos 1º ao argumento prático, no caso Português: Se os estímulos funcionassem, então Portugal teria tido uma década a crescer a 10% ao ano e não a uns míseros 0,5% – crescendo assim menos que a UE, numa inversão do cenário da década anterior – depois de Sócrates ter estimulado o país de inúmeras formas:
Obviamente podia estar aqui a colocar muitos mais exemplos: afinal todas as dívidas contraídas por empresas públicas – na ordem dos milhares de milhões – e todo o dinheiro “investido” (investimento implica retorno…) na construção de estradas via PPP no fundo podem ser consideradas como estímulo.
O resultado? O estímulo parece não ter resultado a não ser num aumento de dívida.
Mas porquê? Má execução? Ou nunca seria possível que desse certo?
Bem, é claro que também houve má execução. Mas era impossível que desse certo. Senão vejamos:
1. A Equivalência Ricardiana afirma que défices públicos levarão a poupança privada equivalente por os segundos perceberem que os primeiros não têm outra opção senão taxá-los mais tarde, e portanto constituem provisões para o efeito;
2. Conforme disse Bastiat, o Estado entrega a algumas empresas dinheiro na troca de alguns bens, “estimulando a economia”… levando a que das duas uma: ou pede emprestado à banca, que assim não tem dinheiro para financiar a Economia, nem mesmo em projectos economicamente viáveis (o efeito “crowding out” que o João Galamba conheceu recentemente), ou então simplesmente taxa a umas para dar a outras (ver a este propósito este excelente vídeo em inglês sobre o assunto)
3. De acordo com as suas próprias premissas, o objectivo do PS é estimular a actividade económica. Portanto, aquilo a que ele se propõe é retirar financiamento à economia, para impedir investimento, para levar a uma diminuição de produção (e, portanto, de emprego), enquanto aumenta o consumo agregado, que como não pode ser de bens produzidos em Portugal (a diminuir, neste cenário), têm de ser comprados no exterior, fomentando assim a Economia… Chinesa?
Adenda: Como esperado, só depois da saída de Sócrates o Tribunal de Contas e a Comunicação Social estão a apresentar o descalabro em todo o seu esplendor. Ficam aqui alguns casos: