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Parlamento ensina a arte de Enganar Controles de Custos

Parlamento rejeita beber água da torneira porque sai 30 vezes mais cara.

Como se consegue isto?

Num documento enviado aos deputados, o Conselho de Administração do Parlamento sustenta que a água engarrafada servida nas reuniões da comissão custa 259,20 euros por mês. Para a água da torneira, o valor a que se chegou foi muito maior. O cálculo incluiu os custos de pessoal “para o enchimento, limpeza, colocação e arrumo dos vasilhames” e chegou à cifra de 2730 euros – cerca de dez vezes o valor para a água mineral. O Conselho de Administração também considerou o custo dos jarros em si, avaliados em 4680 euros – o equivalente a 18 meses de água mineral.

Ou seja: basta na água engarrafada não considerar custo nenhum a não ser a garrafa e na água da torneira considerar os custos com o pessoal (10x o preço das garafinhas) e dos jarros em si (18x o custo das garrafinhas, TODOS OS MESES) – cuja inclusão o PS disse ser devido ao facto de estes “avaliadores” não saberem que os copos de vidro podem ser lavados e reutilizados! (se não acredita, ouça o link da RTP abaixo)

Face a isto:

“Face aos encargos evidenciados, o Conselho de Administração pronunciou-se favoravelmente à utilização de água engarrafada, considerando que o respectivo uso, enquanto recurso geológico nacional distribuído por empresas portuguesas, assegura as melhores condições aos utilizadores internos e aos convidados da Assembleia da República, a um custo sem significado financeiro”, conclui o documento.

O Conselho de Administração do Parlamento e os Senhores Deputados da Comissão de Ambiente elevam a arte de forjar Controles de Custos a uma Arte!

Note-se um estudo de 2010, citado pelo blog Ecosfera, que já tinha versado sobre o assunto:

Em pareceres elaborados em 2010, o custo com a aquisição de 100 jarros – para todas as comissões e para o plenário do Parlamento – estava orçado em 1300 euros. A mudança para a água da torneira implicaria uma redução dos custos directos de cerca de 8800 euros para pouco menos de 1400 euros. Mas a questão da necessidade de encher e lavar os jarros era já nessa altura apontada como um problema.
PS: Pormenor de classe: reparem no fim do artigo a correcção no título do post, de “30% mais cara” para “30x mais cara”. Sublime…

Sim, porque se a Assembleia se há coisa que tem é falta de funcionários.

Vou resistir a satirizar como o fez o Jornal Satírico Inimigo Público.

Podiam ter alegado “pequena poupança, grande demagogia política”. Podiam ter desvalorizado a ideia. Podiam ter ficado calados. Podiam fazer muita coisa. Mas gozar connosco… por favor.

Pormenor de classe: O Parlamento usa garrafas das mais pequeninas. Aquelas que todos nós evitamos pedir num restaurante para controlar custos. Nunca garrafas médias ou grandes. Sempre em duplicado.
Assim se poupa dinheiro em São Bento e assim se poupa o ambiente na Comissão de Ambiente.

Como diria um amigo meu: Vou já começar a lavar o pátio com água engarrafada!

Artigo Dinheiro Vivo, Artigo Jornal de Notícias, Artigo no Planeta Azul.

A vantagem de estar a escrever este artigo tardio é que tenho acesso a reacções:
- Som da RTP com a reacção do PS - Pedro Farmhouse, que pediu o estudo, diz que o Conselho de Administração do Parlamento não sabe que os copos de vidro podem ser lavados e reutilizados…;
- Som da RTP com a reacção da QUERCUS - A QUERCUS não sabe comentar as contas, mas esta medida está a dar um passo contra “as tendências” e a legislação comunitária, dando um “sinal errado” à sociedade.

 
 

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Diferenças entre Governos PS e Governos PSD

Um governo PS diz que quer cortar. Assina intenções. E depois esquece o que assina:

Essas eram as intenções. Mas porquê? Vejamos um versão humorada do porquê:

Podem ver aqui o Tempo de Antena do PS em 2011 (em que o PS defende o crescimento até ao colapso do Estado Social). Podem também ver este artigo meu sobre o assunto: PS e o “Estímulo”.

Este é o historial dos Governos PS: esbanjam, assinam austeridade, agem como se nada fosse com eles.
Parece um caso clínico, não parece?

O governo PSD pode por vezes não fazer tudo o que se espera dele, mas vai fazendo. No vídeo seguinte, mais do que ouvir objectivos ou intenções, oiçam as medidas já tomadas:

Acham que conhecem o Orçamento de 2012? Vejam se conhecem: Medidas 1, Medidas 2, Medidas 3.

Para mim, a principal diferença entre PS e PSD é o Realismo. O PSD é um partido social, mas é realista. O PS tem problemas de memória e é irrealista. E é por isso que se alguém se alguém quer que as promessas do PS se concretizem, tem de votar PSD.

 

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PS e o “Estímulo”

Seguro representou uma correcção do estilo de Sócrates. Mas a correcção de forma não trouxe consigo uma também desejável correcção de conteúdo, que mantém os tiques socialistas.

Senão vejamos: Seguro veio a público defender Sanções para os países com excedente orçamental. Sim, não é erro: é mesmo excedente. Ou seja, quem não consome avidamente deve ser reprovado pois não está a “estimular a economia”. Isto é tão ridículo que até o Inimigo Público pegou no tema e trouxe para a sua capa que Seguro defende a eliminação da Liga dos Campeões do vencedor do jogo FC Porto – Zenit.

Vamos 1º ao argumento prático, no caso Português: Se os estímulos funcionassem, então Portugal teria tido uma década a crescer a 10% ao ano e não a uns míseros 0,5% – crescendo assim menos que a UE, numa inversão do cenário da década anterior – depois de Sócrates ter estimulado o país de inúmeras formas:

  1. Plano Tecnológico (já agora…)
  2. Investimento nas Renováveis.
  3. Plano Estratégico do Sector Textil para 2007-2013.
  4. PIO – Programa de Intervenção em Oftalmologia.
  5. Plano Tecnológico da Educação.
  6. Programa de grandes investimentos em infra-estruturas 2005-2009.
  7. PENT – Plano Estratégico Nacional de Turismo.
  8. Plano Estratégico para a Indústria de Moldes e Ferramentas Especiais.
  9. Plano para o Oeste.
  10. Um Mail para cada Português (Ok, apenas 2,5M…).
  11. E claro, o investimento em cada vez mais estradas.
Outros Planos:
Outros Estímulos:
  1. Plataforma Logística Lisboa-Norte (Pois…)
  2. Parque de Energia das Ondas da Aguçadoura (Pois…)
  3. Plataforma Logística do Poceirão
  4. Aeroporto de Beja (164? Mais do que eu esperava!) (Em liquidação!) (Sem ter facturado!)

Obviamente podia estar aqui a colocar muitos mais exemplos: afinal todas as dívidas contraídas por empresas públicas – na ordem dos milhares de milhões – e todo o dinheiro “investido” (investimento implica retorno…) na construção de estradas via PPP no fundo podem ser consideradas como estímulo.

O resultado? O estímulo parece não ter resultado a não ser num aumento de dívida.

Mas porquê? Má execução? Ou nunca seria possível que desse certo?

Bem, é claro que também houve má execução. Mas era impossível que desse certo. Senão vejamos:

1. A Equivalência Ricardiana afirma que défices públicos levarão a poupança privada equivalente por os segundos perceberem que os primeiros não têm outra opção senão taxá-los mais tarde, e portanto constituem provisões para o efeito;

2. Conforme disse Bastiat, o Estado entrega a algumas empresas dinheiro na troca de alguns bens, “estimulando a economia”… levando a que das duas uma: ou pede emprestado à banca, que assim não tem dinheiro para financiar a Economia, nem mesmo em projectos economicamente viáveis (o efeito “crowding out” que o João Galamba conheceu recentemente), ou então simplesmente taxa a umas para dar a outras (ver a este propósito este excelente vídeo em inglês sobre o assunto)

3. De acordo com as suas próprias premissas, o objectivo do PS é estimular a actividade económica. Portanto, aquilo a que ele se propõe é retirar financiamento à economia, para impedir investimento, para levar a uma diminuição de produção (e, portanto, de emprego), enquanto aumenta o consumo agregado, que como não pode ser de bens produzidos em Portugal (a diminuir, neste cenário), têm de ser comprados no exterior, fomentando assim a Economia… Chinesa?

Meus caros, creio que que só mesmo um socialista sem noção da realidade pode perceber tudo isto (ouçam aqui como se formam este tipo de Socialistas). Afinal, até já Freitas do Amaral vê o disparate em que esteve envolvido!

Adenda: Como esperado, só depois da saída de Sócrates o Tribunal de Contas e a Comunicação Social estão a apresentar o descalabro em todo o seu esplendor. Ficam aqui alguns casos:

Podem também ver no site “Tretas.org“, perfis como Paulo Campos ou o Aeroporto de Beja.

E para finalizar: “E se o PS tivesse ganho as eleições em 2011?”

 

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