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A “avaliação de Professores”, pela FenProf

13 Maio

Podem ler o documento no site da FenProf aqui ou no caso de eles o apagarem, aqui.

Este é, aparentemente, um exercício de humor. Veja-se por exemplo no capítulo “3. Perigos inerentes à implementação”, no 2º ponto:

“Quanto maior for a interferência da Avaliação do Desempenho na Progressão da Carreira mais o modelo de avaliação deixa de o ser para se aproximar de um modelo de gestão de quadros.”

Como pode ser lido preto no branco, os professores querem ser que a avaliação seja destituída de toda e qualquer consequência na progressão na carreira, atacando assim qualquer incentivo à melhoria dos processos.
Certamente, isso será uma vantagem para os professores, mas obviamente será um ponto negativo para a qualidade do serviço.

Mas o melhor é no capítulo seguinte, sobre o título “1. Princípios para a construção de um modelo de Avaliação do Desempenho Docente coerente, integrado, e eficaz”, também se podem ler boas pérolas!

  • Construção participada com os docentes: “É fundamental a recolha mais ampla possível de informação, como é fundamental que o avaliado participe activamente nessa recolha, bem como na construção dos instrumentos de avaliação.” – imagino isto aplicado aos testes dos alunos 😉
  • Transparência e Auto-avaliação: “O trabalho de auto-análise não é só importante, ele é indispensável a um modelo eficaz que pretenda reflectir o desempenho real, pelo que o processo deverá contemplar a auto-avaliação.” – priceless
  • Avaliação integrada e não individualizada: “Tem de ser perspectivada num quadro mais amplo do que o pessoal, pois pressupõe a melhoria do serviço prestado pela instituição em que trabalha, bem como a melhoria da Educação na sua comunidade.” – Desresponsibilização no seu melhor
  • Avaliação de um processo, mais do que de um produto: “O enfoque avaliativo deve incidir na avaliação qualitativa de um processo e de um serviço prestado e não na aferição de um produto individual.” – Desresponsibilização, neste caso pelo lado do serviço
  • Pendor fortemente formativo da Avaliação do Desempenho Docente: “Um modelo orientado para a melhoria de práticas tem de contemplar autopropostas e propostas de melhoria pelos pares, para detectar insuficiências de desempenho e despoletar os mecanismos para a sua superação e consequente recuperação do docente para bons níveis de desempenho.” – Fui estudante na época errada…
  • Co-avaliação, uma solução para um modelo integrado e participado: “A prática da co-avaliação implica que todos os elementos de uma determinada comunidade educativa possam ser avaliados mas também avaliadores.” – Eu dou-te uma boa note a ti e tu dás a mim… ou como tornar estas avaliações num concurso de miss simpatia
  • Diferenciação e melhoria de práticas: “Contudo, ela não pode implicar, por questões de paridade, de igualdade de oportunidades, flexibilidade na gestão do serviço escolar e reconhecimento do princípio da igualdade profissional, qualquer exclusividade ou inibição no desempenho de cargos pedagógicos. Não pode implicar, igualmente, cisões ou divisões profissionais.” – Todos juninos, nos defenderemos uns aos outros.

Quem acha que isto é uma proposta de avaliação de alguma coisa, deve estar a brincar.

 

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