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Financiamento do Ensino Superior – Preparação

09 Abr

Todos nos gostaríamos de ver, como diz um mural aqui no Porto,
Ensino Superior Universal, de Graça e de Qualidade“.

Infelizmente, este foco no sonho só torna a realidade pior. Insistir em algo impossível e tentar impô-lo pela força da lei, leva a consequências imprevisíveis e muitas vezes contrárias ao pretendido:

1. O Ensino Superior não deve ser Universal, pois:
a) A sociedade precisa de agricultores, canalizadores, electricistas, camionistas, cabeleireiros, porteiros, cozinheiros, proletários, e de muitos outros trabalhadores que fazem uma Economia funcionar e que não necessitam de um curso superior para cumprir as suas funções;
b) Há um excesso de oferta de cursos sem qualquer utilidade e cujo destino de quem o frequenta é o desemprego;
c) Mesmo nos cursos com utilidade (direito, por exemplo), há um limite até ao qual a sociedade consegue absorver. E com a crise que neste momento existe este limite não se tem expandido;
d) Para algo ser o direito de uma pessoa, tem de haver alguém com o dever de pagar esse direito o que, se acreditarmos no princípio da igualdade, não faz muito sentido.

2. O Ensino superior não pode ser Gratuito porque:
a) Sempre que algo é gratuito, é consumido em excesso. O que neste caso significa que haverá falta de pessoas em empregos técnicos mas não “superiores” (canalizadores, electricistas, …) e desemprego entre licenciados;
b) Como o custo é financiado, quem fornece o canudo sente-se à vontade para fazer investimentos que de outra forma não fariam, geralmente não em capital humano ou em métodos de ensino, mas em edifícios, levando o custo a subir, expulsando alguns alunos e levando outros a contrair empréstimos.
c) Como não há pressão para inovar, muitas ideias inovadoras ficam pelo caminho, como por exemplo ensino online (lembrem-se: para a Esquerda o objectivo do sistema de educação é dar emprego aos professores, e não providenciar educação gratuita ou universal)

3. O Ensino superior não pode ser de qualidade porque:
a) Não há incentivo para a inovação;
(preferem as tradições)
(por isso tantos desistem nos EUA!)
b) Nem sequer há incentivo para dar aulas!
(papers é o que conta para a carreira docente…);
c) A inovação é mesmo bloqueada!
(Veja-se a resistência ao Ensino online nos EUA)
d) A ligação ao mundo empresarial é de evitar
(esta eu gostava que me explicassem)
(neste caso há honrosas excepções, como a FEUP)

Recomendo aqui 2 textos sobre a evolução da realidade das Universidades Portuguesas e como estas foram perdendo as ligações à realidade:
Ascensão do Formalismo e Burocratização.
Ensinar a fingir.

“Não importa se os estudantes realmente aprendem, desde que se finja que aprendem e desde que não sejam reprovados. Também não interessa se os professores realmente ensinam, desde que preencham grelhas e formulários infinitos, para dar a impressão de que estão a trabalhar.”

É um problema de base ideológica. Não de falta de meios…

Ao pensar sobre Ensino Superior, há alguns princípios que creio serem relevantes:
1. O ensino só faz sentido se tiver Aplicabilidade e um mercado para esses conhecimentos. Isto é especialmente importante num momento em que a Economia contrai e, portanto, a procura por licenciados reduz-se. Devem prioritizar-se ocupações com saída, sejam elas superiores ou “meramente” técnicas;
2. Para ter uma população mais educada, o que o Estado deve fazer é Desburocratizar a Economia e reduzir Impostos e Taxas sobre empresas e trabalhadores, sobretudo nas áreas que quiser estimular;
3. Os estudos devem ser pagos pelo estudante. Pelo próprio via Empréstimos ou por um Patrocinador. O estado pode patrocinar jovens com boas notas de secundário e de famílias com menos meios financeiros, mas isso levará a que haja demasiados cursos com demasiadas vagas a cobrar demasiado a todos os outros, beneficiando professores, burocratas universitários e construtores civis, o que creio não ser o objectivo.

Ligações Recomendadas: A Conspiração Universitária na América, MSNBC sobre o tópicoJohn Stossel sobre valor de um diploma, Charles Murray e o número de diplomas, Caso prático: Husky e o “Community College” Americano, Caso prático: Diva Dish e os custos. E claro, podem sempre rever o post sobre a inovadora Khan Academy – uma academia gratuita on-line.

 

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2 responses to “Financiamento do Ensino Superior – Preparação

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