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Crowding Out

22 Out

Baseado no artigo Crowding Out for Dummies do Carlos Guimarães Pinto n’O Insurgente:

Situação inicial: Uma economia produz e consome um só produto, por exemplo Peixe.
Na situação actual, a economia poupa 4 peixes por período de tempo.
Abaixo estão representados os fluxos de recursos em 4 cenários diferentes:

1º Cenário: Economia não monetária, sem estado

Os investidores utilizam as poupanças da economia, ficando em dívida para com os aforradores.

2º cenário: Economia monetária, sem estado

Os investidores utilizam as poupanças da economia, ficando em dívida para com o sistema bancário.

3º cenário: Economia monetária, com estado, sem expansão do crédito monetário

Os investidores privados e o Estado partilham as poupanças da economia.
Há menos crédito monetário disponível para os privados (crowding-out)…
…que se reflecte num menor número de recursos disponíveis para o investimento privado.

4º cenário: sistema bancário expande o crédito monetário, sem correspondente aumento de poupança real na economia (número de peixes não consumidos é o mesmo)

A poupança real da economia mantém-se a mesma, pelo que o estado e o privado têm que dividir o mesmo montante de peixes. Com o crédito monetário extra recebido, o estado pode comprar mais peixes do que o privado. Apesar de receberem o mesmo montante de crédito monetário que no cenário 3, os investidores privados têm acesso a menos recursos.
Independentemente do aumento de criação de crédito monetário, só os recursos reais efectivamente não consumidos (poupados) podem ser usados para investimento. Qualquer aumento da utilização desses recursos por parte do estado, significa obrigatoriamente uma diminuição da quantidade disponível desses recursos para os privados. Apenas com o aumento da poupança real na economia é possível aumentar o montante total de recursos disponíveis para investimento.

Artigo de Miguel Noronha n’O Insurgente:

Artigo de Paulo Pinho no Jornal de Negócios:

Como não tem pleno acesso efectivo aos mercados externos, o Estado financia-se junto da banca. Esta, também totalmente carente de fundos, opta por financiar o Estado, evitando assim um mal maior, redescontando de imediato os títulos junto do BCE, como forma de “rolar” o financiamento dos créditos que já se encontram em carteira. Consequentemente, o dinheiro que vai para o Estado não vai para as empresas, de que resulta um abrupto corte na concessão de novos créditos. Em face disso, ao sector empresarial não resta alternativa que não seja a de uma total paragem do investimento produtivo.

No meio desta loucura não falta já quem defenda que a quebra do investimento privado tenha de ser contrariada por um aumento do investimento público. No plano teórico, estaríamos a trocar despesa privada por pública, minorando-se assim os efeitos recessivos de curto prazo daquela situação. Num plano realista, dois problemas se levantam: no curto prazo, investimento público vai exigir mais endividamento, o que só pioraria a situação actual (não fora o facto de não haver propriamente uma longa lista de entidades interessadas a emprestar dinheiro ao Estado português); no longo prazo, investimento público gerador de défices de exploração consistentes é um péssimo substituto para investimento produtivo gerador de valor acrescentado. Na realidade, mais do que os efeitos de curto prazo, o carácter insustentável da actual situação de financiamento da economia nacional advém dos seus impactos sobre a capacidade de crescimento e geração de riqueza a médio e longo prazos. Ou seja, é o futuro de todos nós que se encontra a ser comprometido pela má gestão das finanças públicas do passado recente.

Dizem alguns que a macroeconomia não passa de gestão de expectativas. Por isso, em momentos como o actual seria necessário um discurso optimista, estimulador do crescimento, em vez de mais artigos pessimistas como este. Adorava poder concordar com tal posição. Contudo, a possibilidade de adopção de um discurso optimista pressupõe que os poderes que (des)governam e que os agentes que decidem têm consciência clara das dificuldades que enfrentamos, actuando de forma consistente com a sua resolução. Quando se vive no único país da Zona Euro onde o ataque ao problema das finanças públicas se faz quase exclusivamente por via do aumento de impostos, sem atacar a gordura do Estado, se vê que os bancos se viraram para a concessão de crédito ao consumo e registamos o maior crescimento de vendas de automóveis da União Europeia, é-se forçado a concluir pela importância dos alertas realístico-pessimistas. E quando alguns se queixam de estar sozinhos a puxar pelo País, melhor fariam se, em vez de muito discursar, se dedicassem, de uma vez por todas, a atacar com determinação a despesa do insustentável Estado gastador que a todos sai cada vez mais caro sustentar.

 
 

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