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João Galamba escolhe a sua cereja

03 Dez

João Galamba no Diário Económico:

Se o Governo quer mesmo poupar as famílias e a economia a mais austeridade destrutiva, só lhe resta uma saída: renegociar o memorando.

É hoje uma evidência que a economia e as famílias portuguesas já não aguentam mais impostos. Mas não é correto pensar que isto justifica que se avance, rápido e em força, para cortes na despesa. A conclusão é outra: atingimos o limite de toda e qualquer austeridade, seja por via da receita, seja por via da despesa.

A ideia de que os cortes na despesa são menos penalizadores para a economia do que os aumentos de impostos não tem qualquer sustentação empírica. Num artigo publicado em julho deste ano – Successful Austerity in the United States, Europe and Japan – uma insuspeita equipa de investigadores do FMI analisou a história de programas de austeridade e chegou à conclusão contrária: cortes na despesa têm um efeito recessivo muito maior do que aumentos de impostos.

Os investigadores do FMI chegam mesmo a dizer que, por cada euro que é cortado na despesa, a economia pode contrair 2.6 euros, enquanto que, por cada euro a mais de impostos, a economia contrai apenas 0.35. Se aumentar impostos é mau, cortar na despesa, sobretudo no contexto atual, é ainda pior.

Por outro lado, quem defende cortes na despesa não parece perceber que o Estado Social é uma forma de institucionalizar a solidariedade entre todos os cidadãos: de cada um de acordo com as suas possibilidades contributivas, a cada um de acordo com as suas necessidades.

Paga quem pode, idealmente através de impostos progressivos; recebe quem precisa – quem precisa de cuidados de saúde, de uma escola para educar os seus filhos, de um subsídio desemprego, de uma pensão.

Ora, cortar na despesa, como o Governo tem vindo a fazer, ou instituir um “sistema de financiamento mais repartido”, como defendeu Passos Coelho em entrevista à TVI, não são formas de evitar que as famílias paguem mais impostos. São, isso sim, o mais injusto e regressivo dos impostos, porque se ataca o rendimento, em dinheiro ou em espécie, das famílias de classe média e das de rendimentos mais baixos, que são quem mais beneficia do Estado Social.

A refundação do Estado Social de que fala o Governo pode ser muita coisa, mas não é certamente nem mais justa nem menos recessiva do que tudo o que este Governo tem feito deste que ganhou as eleições.

Se o Governo quer mesmo poupar as famílias e a economia a mais austeridade destrutiva, só lhe resta uma saída: renegociar o memorando. Até lá, resta-nos ir à boleia das sucessivas renegociações que vão sendo feitas pelos gregos.

João Galamba, Deputado pelo PS

João Galamba tem aquele tipo de ignorância que é perigosa.

Perigosa, porque foi ela que nos trouxe aqui: mais endividados, com um enorme sector improdutivo para sustentar, e com um crescimento económico quase nulo na última década.

Perigosa, porque pretende resolver uma crise de crédito com mais crédito (sim, porque menos impostos e mais receitas levam a um gap que tem de ser financiado).

Perigosa, porque não é séria – não se importando de usar como método a escolha de um relatório contrário à generalidade dos estudos do FMI que, como sabe (ou deveria saber) qualquer cidadão que viva num país intervencionado, levaram à política que o FMI impõe nos países de equilíbrio orçamental.

Perigosa, porque ignora que a potência que está a contrair o Estado (China) está a crescer e a potência que está a expandir o Estado (EUA) está em plena “década perdida” de crescimento (repetindo o erro Japonês).

Perigosa, porque provoca o efeito de desmoralizar quem trabalha e se esforça e incentiva a preguiça, como se fosse possível o crescimento económico se nós todos fizéssemos greve de zelo e vivêssemos do crédito.

João Galamba só pensa em si e nos ganhos políticos que espera obter de ser o próximo mentiroso-mor de Portugal. Uma aspiração que acho que ele é livre de ter, mas que espero sinceramente que não venha a obter.
É que o país ainda está a recuperar do último estimulador que lá esteve e para problemas já nos chegam as fraquezas dos partidos que supostamente lá colocamos para cortar na despesa.

https://i1.wp.com/www.vamworld.com/file/view/cherry.jpg/371253746/cherry.jpg

https://i0.wp.com/economico.sapo.pt/public/uploads/authors/joao_galamba.jpg Cherry Picking é a escolha de um caso contrário por conveniência.

 

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