RSS

A crise financeira de 1891, por Luís Aguiar Santos

28 Jan

Na segunda metade do século XIX até 1890-1891, a economia portuguesa continha dois processos paralelos: um processo benigno de crescimento efectivo da riqueza levado a cabo pelos agentes económicos privados e possibilitado por um padrão-ouro que estimulava o investimento produtivo e um processo maligno de endividamento do Estado e de inflação do crédito bancário (aparentemente estimulado por esse endividamento). Os dois processos coabitaram durante quatro décadas e continuariam a coabitar enquanto o Estado continuasse a ter quem acorresse a financiar o seu processo económico maligno sem ter de interferir no funcionamento do processo benigno da economia privada. De facto, embora o Estado incentivasse o desvio voluntário de muitos capitais nacionais de outros investimentos potenciais para a dívida pública, o grosso dos seus financiamentos era externo (divisas da emigração no Brasil e banca estrangeira). Em 1890-1891, o processo maligno entrou em colapso financeiro e teve de fazer o que evitara desde 1854: interferir no processo benigno e transferir dele o financiamento necessário à manutenção das suas despesas. Com isto, a performance da economia privada foi decisivamente afectada; e, assim, a crise financeira do Estado tornou-se uma crise económica geral.

Referido aqui. Texto completo disponível no ICS da UL de PT aqui.

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 28 de Janeiro de 2013 em História, Portugal

 

Etiquetas: , , ,

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: