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Quem é Mário Nogueira?

26 Jun

Henrique Raposo no Expresso:

Um professor dá aulas e Mário Nogueira não dá aulas há mais de 20 anos. Parece mentira, mas este senhor está num perpétuo horário zero há duas décadas. A sua “carreira” docente conta com 32 anos de serviço, mas, na verdade, o Glorioso Líder da Fenprof só deu aulas nos primeiros 10 anos de vida profissional. Os últimos 22 anos foram dedicados ao sindicalismo profissional. Não, Mário Nogueira não é professor, é sindicalista. O que me leva a uma pergunta óbvia: como é que alguém que não dá aulas há vinte anos pode representar com realismo as pessoas que dão aulas todos os dias?

E esta comédia sindical não se fica por aqui. Por artes burocráticas impenetráveis, Mário Nogueira tem sido avaliado como professor: recebeu o “Bom” correspondente à classificação de 7,9 obtida no agrupamento de escolas da Pedrulha, Coimbra (Correio da Manhã, Dezembro 2011). Mais uma vez, um camião de perguntas bate à porta: se não dá aulas, como é que este indivíduo pode ser avaliado como professor? Como é que se opera este milagre da lógica? Entre outras coisas, parece que conferências e artigos de jornal contam para a avaliação de Mário Nogueira. Fazer propaganda da Fenprof, ora essa, é igual ao confronto diário com turmas de vinte e tal garotos. Justo, justíssimo, justérrimo.

Se não é professor, quem é afinal Mário Nogueira? Na minha modesta opinião de contribuinte assaltado por horários zero e afins, Mário Nogueira é o verdadeiro ministro da educação. A cadeira do ministério vai mudando de dono, mas Mário Nogueira está lá sempre. Os governos sucedem-se, mas a Fenprof está lá sempre. E, com menor ou maior intensidade, as políticas educativas são determinadas pela Fenprof e não pelos governos democraticamente eleitos. A força das eleições nunca chega à tal escola pública, que é auto-gerida há décadas pela Fenprof. Curiosamente, TVs e jornais nunca fazem fogo sobre este sindicato. O poder da educação está ali, mas as redacções só sabem queimar ministros atrás de ministros. Nunca ouvi ou li uma entrevista a Mário Nogueira. Só vi e ouvi tempos de antena. Quem é Mário Nogueira? Um dos inimputáveis do regime.

fenprof_mario_nogueira

Mário Nogueira responde no seu estio habitual (no mesmo dia):

A MODO E A DESTEMPO (Com um agradecimento ao senhor Henrique Raposo)

Não vou perguntar quem é Henrique Raposo, simplesmente porque não me interessa conhecer quem, à falta de argumentos políticos, se dedica a ataques pessoais. Mas quero esclarecer o senhor Raposo, em primeiro lugar a propósito da pergunta que faz: quem sou eu; depois, sobre uma questão que, para ser compreendida, obriga a perceber o que é a democracia… mas tentar não custa.

Admitindo que não lhe interesse saber onde nasci, a minha filiação, as minhas habilitações académicas, a minha ficha clínica ou o nome do meu gato, limitar-me-ei a esclarecê-lo sobre três coisas:

1) A minha presença na atividade sindical decorre de processos eleitorais legais e democráticos, sendo que o cargo de Secretário-geral da FENPROF é por mim exercido há apenas dois mandatos. Iniciei o terceiro há pouco mais de um mês, na sequência de um Congresso Nacional que elegeu a direção da FENPROF. Dos 650 delegados presentes, 500 foram eleitos nas escolas pelos professores sindicalizados, tendo sido inequívoca a votação que elegeu esta direção.

2) A lei sindical a que a FENPROF e os seus dirigentes se sujeitam não é exclusiva para nós. É a mesma que se aplica a outras organizações respeitáveis como, no caso da Educação, a FNE, ou, num âmbito mais geral, as confederações sindicais CGTP e UGT;

3) A avaliação a que me sujeitei não se me dirige em particular. É a mesma que se aplica a todos os que, não estando na escola por desempenharem cargos fora dela, têm, contudo, de ser avaliados. Chama-se “ponderação curricular” e aplica-se aos dirigentes sindicais, aos deputados, aos membros do governo, aos autarcas, presidentes de câmara ou vereadores a tempo inteiro, e a outros docentes que em âmbitos diversos, exercem atividade fora da escola.

Feita a explicação, perguntar-se-á: pensaria Henrique Raposo que o país tinha uma lei especial para a FENPROF e, em particular, o seu Secretário-geral? Não parecendo ser assim, cabe então perguntar: por que não escolheu outro dirigente sindical, de outra organização, por exemplo, ou um deputado (há muitos que são professores), ou um presidente de câmara, ou um membro do atual governo ou até um dos seus muitos assessores que são professores?

A pergunta é retórica, claro, porque a resposta é óbvia: não lhe interessava. Em primeiro lugar porque, provavelmente, para si, a democracia só tem um lado, o do poder; depois, porque mesmo no que, eventualmente, considerará o lado oculto da democracia, eram a FENPROF e o seu Secretário-geral que pretendia atingir. Saiba o senhor Raposo que, sendo o ataque feito de forma tão pouco inteligente que deixa a nu o propósito, o que procurava ser um insulto acaba por ser deferência. A precisão da escolha significa que a FENPROF está a chegar onde era pretendido, pelo que, desorientados, os que se sentem atingidos deixam de reagir politicamente para desferirem ataques pessoais. São ótimos esses sinais e dão-nos ainda mais força para continuarmos. Fica, por isso, o agradecimento.

Vídeo de vitória no XI Congresso da FenProf:

Sintomático do estado do país. Mário Nogueira é inimputável, inatacável, apoiado por inúmeras figuras do regime, do poder político (nacional e local) ao escrito. Diz os disparates que quer e nada. Defende a Revolução Bolivariana e nada. Insulta todos e nada. Manipula influências e nada. Enquanto não se desfizerem estes centros de poder, a Educação continuará no actual caminho de perda contínua de qualidade e o futuro do país é que está em causa. O verdadeiro Ministro da Educação é o líder da FenProf, e ele terá que ser substituído por alguém de ideologia muito diferente, ou o caminho está traçado.

 
5 Comentários

Publicado por em 26 de Junho de 2013 em Educação, Portugal, Videos

 

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5 responses to “Quem é Mário Nogueira?

  1. Pedro Nazareth

    27 de Junho de 2013 at 11:31

    Obrigado Ricardo pela oportuna publicação.

     
  2. jorge, beja

    30 de Junho de 2013 at 15:16

    Mario….a caozada ladra e a caravana passa….aquilo é conversa encomendada

     
  3. Leopoldino Machado

    30 de Junho de 2013 at 16:35

    O 25 de Abril 74 abriu as portas à liberdade democracia e participação dos trabalhadores na eleição dos seus representantes sindicais, não sendo professor mas sim operário metalúrgico reformado,não percebo muito bem os ataques pessoais de que são alvo os legitimos representantes eleitos democráticamente pelos tralhadores sindicalizados, não me parece justo e coerente invocar conceitos de eleição tipo estado novo,

     
  4. JOSÉ MICAELO

    30 de Junho de 2013 at 17:03

    ESTÁ NO TEMPO DE RENOVAR IDEIAS E DIRIGENTES DESTE PAÍS.ESTAS VACAS SAGRADAS SÓ ANDAM CÁ A FAZER ESTRAGOS E A RAPAR OS TACHOS.
    ADEUS E ATÉ NUNCA MAIS.

     
  5. domingos estanislau

    2 de Julho de 2013 at 8:27

    Este Henrique Raposo devia ter vergonha, usar a mentira para denegrir a imagem de um cidadão que se dedica de forma honesta e dificil a uma causa ´e no minimo uma atitude cobarde e pouco inteligente. Quantos portugueses, como diz Mário Nogueira, estão nestas condições ? Este senhor Henrique Raposo, que não é estupido nem parvo, é obviamente um homem de baixo caracter.

     

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