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Mário Amorim Lopes sobre a Evolução da Dívida Americana

24 Set

Mário Amorim Lopes, n’O Insurgente:

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Saiu esta semana o 2013 Long-Term Budget Outlook do Congressional Budget Office, uma entidade bi-partidária que estuda a evolução do orçamento federal, das políticas fiscais e do seu impacto a longo-prazo.

Preocupante é um termo lisonjeiro e eufeminizado para descrever o outlook. Se a crise da dívida soberana em países tão pequenos como Portugal, Grécia ou Irlanda teve um impacto devastador na economia Europeia e mundial, o efeito será certamente ampliado na maior economia do mundo, os EUA. A somar a tudo isto, a forma como o balanço do Fed está a assumir proporções nunca antes testemunhadas, resultado dos programas de aquisição de ativos (quantitative easing), facto para o qual o economista John B. Taylor já alertou por diversas vezes.

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Expectavelmente, anos de défices sucessivos e de crescimento anímico só poderiam conduzir a uma posição de insustentabilidade da dívida pública. Se, por um lado, a despesa federal continua a aumentar, por outro lado acresce ainda o fenómeno de bola de neve (“snow-ball” effect) do serviço de dívida. Quanto maior o montante em dívida, maior o esforço financeiro necessário para a servir.

Olhando pormenorizadamente para as rúbricas da despesa, confirma-se o presságio acima descrito: as despesas financeiras mais do que duplicarão, assim como as despesas de saúde e com a segurança social. A insustentabilidade de um regime de cuidados de saúde esquizofrénico, que não é nem privado, nem público, sendo antes um misto de subsídios Medicare e Medicaid que inflacionam os custos de prestação de saúde com conluios entre seguradoras, é latente. O Obamacare só piora a situação, tentando remendar um sistema inerentemente mal concebido.

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Duas observações são inevitáveis. A primeira é a de que, mais do que as eleições alemãs, às quais certamente acresce um enorme interesse, a instabilidade dos EUA é ainda mais perniciosa. Uma desconfiança no dólar e nos títulos de dívida federal pode, em teoria, conduzir a efeitos devastadores, onde se incluem a desvalorização do dólar e a inflação.

A segunda é, novamente, a refutação ao apanágio do Keynesianismo, a fé desmesurada nos défices, no multiplicador fiscal, e no efeito positivo que esses défices têm no produto como forma de alisar no curto-prazo os efeitos da contração da procura agregada. Os défices não salvaram o mundo, como Krugman outrora afirmou. A grande maleita do Keynesianismo é e continuará a ser achar que se resolvem problemas estruturais, do lado da oferta, com medidas para estimular a procura. Quando a contração da procura agregada é a consequência e não a causa — como se sucedeu, aliás, em Portugal —, nenhuma medida de estímulo ao consumo ou ao investimento irá corrigir problemas endémicos, apenas desfigurá-los, provendo uma falsa aparência de que tudo está bem e as roupas do rei são condignas.

Hipotecar continuamente o futuro em detrimento do presente tem um enorme custo. A factura chegou a Portugal e, pelo outlook do CBO, estará já a caminho dos EUA. O rei vai nu.

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