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RAF e as eleições no Porto

27 Set

Rodrigo Adão da Fonseca, n’O Insurgente:

Rui Moreira

Pela derrota política de Torquemadas, calimeros, e das suas vizinhas do bairro…

… no domingo, espero que Luís Filipe Menezes vença as eleições no Porto, pondo um ponto final no ambiente bafiento que se respira na cidade.

Tenho pena que Rui Moreira, por quem nutro profunda amizade e respeito, se tenha deixado aprisionar por um grupo de pessoas que transformaram a sua candidatura na bandeira da maledicência e da tacanhez. Não percebo como é que alguém que nada deve a ninguém, aceitou ficar refém dum discurso negativista, assente em mitos urbanos e na exploração do medo, tornando a disputa autárquica no Porto numa espécie de luta do Bem contra o Mal, dos Ímpios contra os Impuros, dos Iluminados contra os Cavaleiros das Trevas. Uma campanha que acha que pode afirmar um projecto apenas na destruição do carácter do seu oponente merece ser derrotada nas urnas, mesmo que isso implique um castigo demasiado forte para um candidato que vale mais que parte do seu núcleo duro de apoiantes, como é o caso de Rui Moreira.

Considero, sim, que Rui Moreira vale sem dúvida muito mais do que aquilo que conseguiu mostrar. O ruído à sua volta é enorme, e não o conseguimos ouvir. No fim, porém, só se pode queixar de si próprio. Pecou por não ter tido a coragem de afastar alguns apoios que não o eram, genuinamente, e que apenas viam na sua candidatura um meio privilegiado para dar azo a pequenos ódios e vinganças. Alguns destes “grandes apoiantes”, aliás, não há muito tempo, lançaram contra Rui Moreira uma jihad maledicente e ressabiada, parecida com aquela a que temos assistido na campanha contra Menezes, desqualificando-o para lá daquilo que é aceitável num ambiente social cosmopolita e urbano. Longe vão os tempos em que Rui Rio colocava raids de protecção à porta da casa de Rui Moreira, impedindo-o de entrar por ocasião das corridas de popós com que a Câmara infestou a cidade, ou desvalorizava as iniciativas que este promovia a partir da Associação Comercial e do Palácio da Bolsa. A outro nível, gente que não se falava, lançando acusações que punham em causa a honestidade pessoal dos intervenientes, colam agora juntos cartazes, de mão dada e vestidos com vestes e asas brancas. Ora, deste tipo de casamentos de ocasião, celebrados pelo Apóstolo Maquiavel, em que não há nem lealdades nem afectos, não se pode esperar grandes frutos. A consequência é que o ruído criado pelos fanáticos impediu a afirmação daquilo que poderia ter sido um projecto verdadeiramente independente.

Menezes, por seu lado, soube superar com inteligência todos os obstáculos que lhe foram sendo colocados. Com a sua experiência, cedo percebeu que a maioria dos cidadãos – aqueles que decidem eleições –  privilegiam os candidatos que se afirmam pela positiva, tendo optado por uma campanha viva e participada.

Há uma certa megalomania no discurso de Menezes? Sim, sem dúvida. Faz parte do seu estilo político, da sua personalidade. Mas isso é algo que não me preocupa. A equipa de gestão é boa, e sólida no plano financeiro. Conheço bem o Ricardo Valente, e não acredito que embarque em aventuras. Acresce que quando olho para Gaia, não vejo elefantes brancos, mas obra feita, com sentido, e uma boa conjugação de dívida com fundos comunitários. Cada cidadão em Gaia deve 700 euros, montante que não pode ser considerado astronómico face ao que a cidade recebeu em infra-estruturas e melhoria da qualidade de vida, nos últimos 12 anos, num valor muito superior. Quem me dera que fosse essa a realidade da dívida do país. No Porto, infelizmente, a dívida também existe, sem que tenha havido investimentos infra-estruturais que beneficiem a cidade. Envergonha-me, enquanto portuense que, por exemplo, um dos grandes “factos” políticos do ano tenha sido uma contenda com o Governo Central, em que agentes políticos do Porto se imolaram contra aquilo que consideram ser uma opressão do Ministério das Finanças, traduzida numa disputa inferior a três milhões de euros, ao nível da SRU. Sem prejuízo da razão que assista à cidade, num momento em que Portugal vive grandes dificuldades, faz-me confusão que alguém use o seu prestígio político para resolver contas que no cômputo do país são de mercearia de bairro, insultando tudo e todos.

Espero, também, ao nível do PSD, que alguns agentes, barões, sargentos e soldados-rasos percebam de vez que não se vencem eleições protagonizando campanhas negras. Desde as legislativas de 2009, em que Manuela Ferreira Leite tinha todas as condições reunidas para vencer, que há quem insista em repetir até à náusea um discurso deprimente, que só arregimenta fanáticos, acicatando o pior que existe nos Portugueses. Espero que estas eleições mostrem, de uma vez, que não resulta, que não vale a pena.

Até domingo.

 
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Publicado por em 27 de Setembro de 2013 em Política, Portugal

 

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