RSS

Daniel Oliveira e os preconceitos económicos de esquerda

17 Dez

carlos_guimaraes_pinto

O muito esperado regresso de Carlos Guimarães Pinto a’ O Insurgente:

Um dos grandes motivos pelo qual os portugueses continuam a aceitar como verdadeiras tantas falácias económicas é o facto de que aqueles que melhor sabem formar opinião (através do seu estilo de escrita e de comentário televisivo) tenderem a ser analfabetos económicos. Obviamente ninguém é obrigado a perceber de economia, mas tal não os restringe de comentarem assuntos da área, contribuindo para espalhar falácias na opinião pública, o que por sua vez se acaba por reflectir no discurso político. A Fernanda Câncio e o Daniel Oliveira são dois casos exemplares.

O dia de hoje é uma excepção à regra. No seu texto no Expresso, o Daniel Oliveira, mesmo que involuntariamente e num espírito de auto-defesa, contribui para desfazer algumas falácias económicas que sobrevivem, muitos vezes com a ajuda de comentadores como ele. É um texto que deve ser lido e entendido, principalmente pelas pessoas da sua área política.

1º preconceito: existe um número limitado de empregos

Diz o Daniel Oliveira: “(…)Que há quem venha aqui e quem compre o “Expresso” para, entre outras coisas, me ler.(…)Só com leitores e coisas que eles queiram ler o jornal vende nas bancas e tem publicidade. Quando vende e angaria publicidade a empresa detentora do “Expresso” consegue não apenas o suficiente para me pagar a mim, a todos os trabalhadores, colaboradores externos e fornecedores, como ainda sobrará, como sobra, dinheiro para se expandir o negócio e, quem sabe, contratar ainda mais pessoas. O que estou a dizer sobre mim aplica-se obviamente e de igual forma a todas as pessoas que trabalham nesta empresa, sejam do seu quadro, sejam colaboradores externos, sejam jornalistas, administrativos, estafetas ou quadros superiores”

De uma forma simples, o que o Daniel Oliveira diz aqui que cada trabalhador, através do seu valor acrescentado (aquilo que produz mais do que recebe) contribui para que se criem outros empregos. Ou seja, quanto mais e melhor trabalhar o Daniel Oliveira mais, e não menos, empregos serão criados. A falácia que o Daniel Oliveira expõe, e bem, é muitas vezes utilizada pela esquerda para defender horários de trabalho mais baixos ou redução na idade da reforma, argumentando que quanto menos trabalho for feito por uns, ou quanto menos trabalhadores houver, mais trabalho haverá para os restantes. Trabalho cria trabalho, como bem explica o Daniel Oliveira.

2º preconceito: é através do estímulo da procura que se criará emprego

Diz o Daniel Oliveira: “Quem cria então emprego aqui e em qualquer outra empresa? Antes de mais, quem consome os seus produtos. Neste caso, o meu caro leitor. Depois, quem os produz. Por fim, quem, olhando para a necessidade dos consumidores e a disponibilidade para produzir, contrata as pessoas que precisa e arranja o capital necessário para montar o negócio.”

Ou seja, emprego (e já agora toda a produção de riqueza) resulta da interacção entre necessidades, capacidade produtiva e empreendedora, sendo os três factores complementares. O Daniel Oliveira só tem emprego porque há quem o queira ler, porque ele tem capacidade de satisfazer os desejos de um grupo de leitores e porque alguém arriscou o seu dinheiro para criar a plataforma através da qual o Daniel Oliveira pode cobrar aos seus leitores pelo seu trabalho. Para que a criação de riqueza aconteça, estes três factores têm que estar alinhados. Valeria pouco que houvesse muitos leitores com vontade de ler textos como os que o Daniel Oliveira escreve, se o próprio Daniel Oliveira não fosse capaz de os escrever, ou a Impresa não tivesse condições de criar a plataforma para que o Daniel Oliveira seja pago para o fazer. Fazendo o paralelo com a economia portuguesa, haverá de facto um problema de procura? Não, Portugal é um país de 10 milhões de habitantes com acesso a uma procura potencial de 6 mil milhões. O que falta realmente para que se crie emprego são os outros dois factores: ajustar a capacidade produtiva a essa procura e incentivar o espírito empreendedor que coloque ambos em contacto.

3º preconceito: é o estado o motor de criação de emprego

Daniel Oliveira diz “quem cria empregos é a economia, criei tantos postos de trabalho como qualquer trabalhador, consumidor ou empresário”. Subconscientemente, Daniel Oliveira deixa de fora o estado. Ele tem razão: o estado não cria empregos. Pode criar as condições para que eles sejam criados, facilitando a vida a quem os cria. Mas aquilo a que normalmente se chama criação de empregos pelo estado não é mais do que transferi-los da esfera privada para a pública, com as habituais perdas de eficiência pelo meio.

4º preconceito: o capital explora o trabalho

Falando sobre o empresário, diz o Daniel Oliveira “Correndo o risco de perder o capital empatado, tem a possibilidade de ter uma vida bem mais confortável do que aqueles que, com ele, levaram o negócio a prosperar. Essa é a diferença substancial em relação aos demais atores deste filme: o empresário ou investidor corre o risco e tem o lucro ou o prejuízo. Tem um interesse comum a quem com ele trabalha: que o negócio corra bem.”

A retórica de esquerda comum é a de que o empresário (o capital) pouco ou nada acrescenta à economia, limitando-se a explorar os trabalhadores e obter o seu lucro, recorrendo a essa exploração. Como diz, e bem, o Daniel Oliveira, o empresário tende a ganhar mais com o sucesso da empresa, porque é também o único que tem algo a perder com o seu insucesso. Se a Impresa falir, o Daniel Oliveira deixará de receber o seu salário, mas não perde os salários que recebeu anteriormente. Já os accionistas da impresa não só deixarão de receber os parcos rendimentos que a Impresa lhes garante hoje, como todo o dinheiro que investiram no passado, ou seja, rendimento passado.

Bem sei que provavelmente o Daniel Oliveira se irá redimir em breve, contribuindo para o espalhar de mais algumas falácias, mas hoje está de parabéns: de forma simples e directa, desmistificou alguns dos principais preconceitos económicos que povoam a sua área política.

 

Etiquetas: , , , , ,

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: