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Pedro Cosme sobre Investimento, crescimento, salários e desemprego

10 Fev

Pedro Cosme no seu blogue, Económico e Financeiro, sobre a política económica de PS e PSD:

Ontem ao almoço o meu amigo SP lembrou-me desta discussão. 

Quando em 2010 o falecido António Borges e o vivo Vítor Bento (e eu) começaram a dizer no espaço público que a nossa economia precisava de um “ajustamento em baixa dos salários para combater o desemprego e melhorar as nossas contas com o exterior”, os esquerdistas gritaram, berraram, guincharam e zurraram que o desemprego apenas poderia ser combatido com mais investimento (em TGVs, autoestradas e energias renováveis), mais crescimento económico e salários mais elevados (para aumentar o consumo).
Até houve uns da Universidade do Minho que escreveram que diminuir os salários (pela transferencia da TSU) até causaria aumento do desemprego. Na altura dei-lhes uma marretada que, naturalmente, não gostaram nada. Ainda no outro dia vi um deles, que até é bom rapaz, mas fizemos de conta que não nos vimos.

Mas, decorridos 3 anos, o desemprego está a diminuir rapidamente.

Depois de uma taxa de desemprego (sem correcção da sazonalidade) de 18,1% em Janeiro de 2013, 930 mil pessoas desempregados, o desemprego começou a cair e atingiu no fim de 2013 uma taxa de 15,3%, 812 mil desempregados.
Nos últimos 11 meses, o número de desempregados diminuiu em 710 por cada dia útil num total de 172 mil. Se descontarmos os 5,5% da “taxa de pleno emprego” (non inflationary unemployment rate), em apenas 11 meses, 22% dos desempregados saíram dessa situação.
Fixemos este valor de 22%.

“Mas está pior que em Junho de 2011” (esquerdistas).

Os defensores da catástrofe que resultou do governo Sócrates + Teixeira dos Santos, mesmo já tendo  a voz embargada, querem comparar o actual nível de desemprego (15,3%) com o nível que existia no último mês de Sócrates (12,1%). Assim, dizem que as politicas do Coelho, globalmente, fizeram o desemprego aumentar em 3,2% da população activa, mais 150 mil desempregados.
Mas então, esses esquerdistas também precisam comparar a taxa de desemprego no fim do socratismo (12,1%) com o que se verificava na data da sua entrada, em Março de 2005 (8,3%). O socratismo aumento o desemprego em 3,8% da população activa, mais 200 mil desempregados, quando tinha prometido criar 150 mil postos de trabalho. Foi apenas um desvio entre o prometido e o concretizado de 350 mil postos de trabalho.
A brilhante política de investimento e crescimento teve pior impacto que a “catastrófica política de austeridade” do Passos Coelho.
E tudo indica que o Passos vai chegar ao fim do seu mandato com a taxa de desemprego que encontrou quando tomou posse (ver, Fig. 1). Vamos chegar a meados de 2015 com 12,1%.

Fig. 1 – Taxa de desemprego (dados:INE). Só um cego não vê que está a cair.

“Não pode ser. O emprego tem que estar a diminuir” (esquerdistas).

Apesar de ser por demais evidente que o desemprego está há 11 meses a cair, os esquerdistas continuam a afirmar que da “politica catastrófica neo-liberal e de direita” só pode acontecer destruição de emprego.
Com este pressuposto na cabeça, a diminuição do desemprego só pode ser por causa da emigração e do crescimento dos desanimados. Esta tese já foi apresentada com grande destaque no JN e ontem mesmo fez capa no Diário Económico (“Emigração explica 2/3 da queda da taxa de desemprego”) mas É COMPLETAMENTE FALSO.
A verdade, que já apresentei no outro dia (ver artigo), na fase de 2008-2012, por cada 3 empregos destruídos, duas pessoas foram para o desemprego e 1 pessoa perdeu-se (foi para a emigração e para a inactividade). Mas esta perda de activos foi 1/3 e não 2/3. Quer isto dizer que, se não fosse esta perda, em princípios de 2013 a taxa de desemprego teria atingido os 23%.
Mas olhando para os dados trimestrais do Eurostat (ainda não saíram os dados do 4T2013), no 1T2013 essa tendência inverteu-se: havia então 4433 mil empregados e no 3T2013 havia mais 120mil, 4554 mil empregados. Por cada 19 pessoas que saíram do desemprego foram criados 20 postos de trabalho. Assim, recuperou-se um desanimado.

“Então, o investimento aumentou desmedidamente” (esquerdistas).

Como o desemprego está a diminuir tão rapidamente, se as teses dos esquerdistas estivessem certas iríamos observar nas estatísticas um enorme aumento do investimento privado (já que o público está , felizmente, parado).
Fui ao INE buscar os dados e, para meu espanto, o nível de investimento mantém-se abaixo dos 65% do nível do primeiros mandato do socratismo (nos 6MM€/trim para uma depreciação de 7,5MM€/trim o que dá um investimento liquido negativo).

Fig. 2 – Evolução do investimento, MM€/trim, preços constantes (dados: INE)

Não é possível.

Estou confuso. Já compreendo porque os do PS andam meio abananados com estas coisas do desemprego ao ponto do João Galamba vir agora defender que “o preferivel é aumentar os impostos”.
Mas não foi este mesmo Galamba que, em 2012, quando o Gasparzinho anunciou um “brutal aumento dos impostos”, veio gritar a pedir cortes na despesa pública?
Decorrido um ano, afinal, o PS vem dizer que o Gasparzinho estava no bom caminho e o que é preciso é aumentar ainda mais os impostos.

Fig. 3 – “Escreva o que eu digo pois sou uma pessoa de uma só palavra: quando for o PS a mandar, vamos aumentar os impostos e anular os cortes na despesa porque é a despesa que combate o desemprego“.

Os custos do trabalho diminuíram.

Quando em 2010 o falecido António Borges e o vivo Vítor Bento (e eu) gritaram pela necessidade de diminuir os custos do trabalho fosse pelo aumento do horário de trabalho, da diminuição dos salários ou da flexibilização do mercado de trabalho, a esquerda chamou dois prémios Nobel e um fulano qualquer brilhantíssimo (o meu ex-amigo Ricardo Reis) para contra-gritarem que, para o desemprego diminuir, os salários tinham que subir.
Também vieram os sindicatos e os patrões pedir um aumento do salário mínimo mas a pagar pelo Passos Coelho.
A lógica era que, mais salários transformam-se em mais consumo que se transforma em mais procura o que leva as empresas a empregar mais pessoas diminuindo o desemprego e a despesa em apoios sociais.
É a argumentação mais estúpida que algum ser humano pode avançar.
É como dizer que comer mais emagrece porque se gasta mais energia na digestão.
Mas os custos do trabalho reduziram 15% relativamente aos nossos parceiros da Zona Euro, exactamente como eu achava necessário. Foram 5% ainda no tempo final do Sócrates e mais 10% no período inicial do Passos Coelho (ver, Fig. 3).

Fig. 4 – Evolução dos custos do trabalho relativamente aos nossos parceiros da ZE (dados: Eurostat)

Retomemos o número.

Uma queda de 15% nos custos do trabalho induziram até agora uma queda no desemprego de 22%.
Então, cada 1% na redução nos custos do trabalho induziram uma redução de 1,5% no número de desempregados.
Afinal, o modelo teórico que garante que uma redução nos custos do trabalho induz uma redução no desemprego (e um aumento no emprego) está mais certo que toda a evidencia empírica que esse pseudo-craques esquerdistas foram arranjar para negar o que dizia (e diz) a teoria.

Fig. 5 – A teoria sempre disse e diz que, quando o desemprego é elevado, a redução dos salários diminui o desemprego e aumenta o emprego. Negar isso é a mesma coisa que dizer “eu sou estúpido”.
Pedro Cosme Costa Vieira
 

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