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Fortunas

03 Out

Ao contrário do anterior, que teve 75 partilhas no Facebook, este teve mais de 17.700 (!)
O artigo é sobre a NECESSIDADE de poupar, mas rapidamente se passou para a discussão sobre a POSSIBILIDADE de poupar, com um exército de comentadores a garantir-me que não é possível a classe média poupar em 2016 – inclusivamente alguns que poupam várias centenas na amortização da casa todos os meses. Para mais tarde fica uma resposta estruturada aos críticos. Aqui fica a cópia do artigo original.
Exemplo de críticas: Esquerda Republicana, Diário As Beiras.

Este foi o meu 2º Artigo no Jornal Económico:

ricardo-campelo-magalhaes_final-150x150500.000 euros. Parece ser esse o limite do pecado. Quem tem mais de 500.000 euros é certamente rico e, provavelmente, muito pouco inocente, diz-se. Quem conseguiu acumular esse valor nesta sociedade consumista incumpriu com o dever patriótico de estimular a economia e certamente ganhou demais, tendo agora uma riqueza acumulada que tem de distribuir para que todos sejamos igualmente remediados, ataca-se.

Acontece que 500.000 euros, na verdade, não é muito para um casal ter como poupança para a velhice. Senão imaginemos um exemplo comum: dois profissionais liberais, a meio da sua carreira, que estejam hoje a ganhar 1.000 euros cada. Um casal perfeitamente normal e dentro das médias nacionais. Façamos agora uma pequena projeção de quanto este casal precisa de ter aforrado para a reforma.

Quanto tempo o casal estará reformado? Se se reformar aos 66 e tiver uma esperança de vida de 80 anos, isso corresponde a 14 anos ou 168 meses. Quanto dinheiro precisará por mês? Se tivermos em conta a inflação, um casal a meio da sua carreira precisará do dobro para manter a sua qualidade de vida, pelo que precisarão de 2.000 euros cada. Aceitando que cada um terá uma reforma de 500 euros, o que é relativamente comum entre profissionais liberais por estes serem tratados como cidadãos de segunda, dá 168 meses x 1.500 euros, ou seja, 252.000 euros para cada um. Ou 504.000 euros para o casal.

Isto não contando com uma casa básica para viver, cujo empréstimo tem de estar pago aquando da reforma, e pressupondo que Portugal não vai fazer como a Suíça e estabelecer um teto para a reforma igual a 2/3 do salário mínimo. E, claro, assumindo que o dinheiro da vida social e ‘hobbies’ aos 46 vai cobrir a despesa com a medicação aos 80, e que não há responsabilidades para com as gerações seguintes. Luxos ou impossibilidades, certamente.

500.000 euros não é uma fortuna. É o mínimo que um casal responsável da classe média tem de ter acumulado para complementar a parca reforma que vai receber na velhice. Quem não tiver uma poupança semelhante vai ser um inválido. Um inválido financeiro na dependência de amigos, familiares ou, como espera a esquerda, do Estado.

Seja independente. Aforre. 500.000 euros não é uma fortuna.

 
 

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